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MP rastilha crime organizado que funcionava em presídios da Fronteira Oeste

Esquema faturou mais de R$ 50 MI. Dois agentes penitenciários colaboravam. Até uma ONG está envolvida

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do 9º Núcleo Regional – Campanha – do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com a Brigada Militar (BM) e Polícia Penal, deflagrou nesta quinta-feira, 11 de junho, a Operação Aliança Velada.

A ação integra a quarta edição da Operação Convergência Nacional RS e teve como objetivo desarticular organização criminosa que, por meio de alianças, explorava o tráfico de drogas de forma estruturada, da distribuição à lavagem de dinheiro, inclusive com uso de uma ONG.

Dos 30 mandados de prisão, 10 miram líderes que atuavam de dentro de penitenciárias, coordenando crimes. Também foram cumpridas 40 ordens de busca e apreensão e houve bloqueio judicial de R$ 27,8 milhões, com a participação de 335 agentes.

As ações se concentraram em Uruguaiana e Itaqui, com registros também em São Borja, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre. O esquema contava com dois policiais penais, alvos de prisão e afastamento, que mediante pagamento facilitavam a entrada de ilícitos no sistema prisional.

Os crimes investigados são corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com movimentação superior a R$ 50 milhões (em grande parte já bloqueados), além de reflexos em tráfico de drogas, roubos e homicídios. A Operação Aliança Velada integra ação do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), voltada ao enfrentamento de facções em todo o país.

ESTRUTURA, CRIMES E ATUAÇÃO

A organização possui 43 investigados, divididos em núcleos gerencial, operacional, financeiro e de corrupção estatal. O grupo movimentou R$ 55,7 milhões em 16 meses. A base do esquema era a infiltração em unidades prisionais de Uruguaiana, Itaqui e na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

Essas unidades concentravam a ação criminosa: entrada de celulares e drogas, atuação de servidores corrompidos e emissão de ordens para crimes externos. A estrutura financeira sustentava tráfico, corrupção e lavagem. A ocultação de valores ocorria via contas de “laranjas”, compra de ao menos 30 veículos e três imóveis, empresas de fachada e financiamento de uma ONG na Fronteira Oeste.

AÇÃO DO GAECO

A investigação iniciou após análise de celular apreendido na Operação Vis Legis, de julho do ano passado. A ação inclui prisão de líderes e operadores, afastamento e prisão de servidores, cumprimento de mandados em presídios, remoção de dois apenados estratégicos e bloqueio financeiro do grupo. Apurações realizadas pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal também colaboraram com os trabalhos.

“A investigação revelou um esquema estruturado, com hierarquia definida e dependência da corrupção no sistema prisional, exigindo resposta firme para interromper essa atuação criminosa”, destacou o coordenador estadual do GAECO, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas.

PASSO A PASSO DO ESQUEMA

– A investigação iniciou a partir da análise de um celular apreendido no sistema prisional.

– Foram identificadas comunicações entre líderes dentro e fora do cárcere.

– Policiais penais facilitavam a entrada de celulares e drogas.

– Em troca, recebiam pagamentos de integrantes da organização.

– Os servidores também atuavam como operadores financeiros e elo com o crime externo.

– Os valores eram ocultados por contas de terceiros, empresas de fachada e uma ONG.

– O dinheiro retornava ao grupo, sustentando o tráfico e outras atividades ilegais.

OPERAÇÃO ALIANÇA VELADA

– 30 prisões preventivas

– 40 mandados de busca e apreensão

– 43 alvos investigados

– R$ 55,7 milhões movimentados de forma ilícita em 16 meses

– Bloqueio de R$ 27,8 milhões

– Sequestro judicial de 30 veículos e 3 imóveis

– Prisão de 2 policiais penais investigados

– Ações nas cidades de Uruguaiana, São Borja, Itaqui, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre

– Ações também em casas prisionais de Uruguaiana, Itaqui e na PASC

– Transferência de dois apenados para a PASC

– Efetivo: 335 agentes

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Polícia

MP desbarata em Alegrete, quadrilha do “rei do gado” que movimentou mais de R$ 100 MI com “gado papel.

Nesta terça-feira, 9 de junho, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do 9° Núcleo Regional — Campanha — do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e junto com a Brigada Militar (BM) e Polícia Penal, deflagrou a Operação Boi Fantasma, terceira etapa da Operação Convergência Nacional RS.

O objetivo é desarticular um esquema criminoso de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas baseado na simulação de comércio de bovinos inexistentes, com base em Alegrete, na Fronteira Oeste.

A investigação identificou uma organização criminosa que movimentou cerca de R$ 100 milhões com uso de propriedades rurais arrendadas e transações fictícias, resultando no cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão e oito de prisão preventiva, além de ações no Estado vizinho, com apoio do GAECO do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

As ordens judiciais ocorrem em Alegrete (12), Quaraí (2), Pelotas (7), Capão do Leão, Itaqui, Canoas, São Leopoldo e Porto Alegre, além de ações em presídios de São Gabriel, Uruguaiana e Cachoeira do Sul, bem como em Palhoça e Joinville, no estado catarinense.

A ação, que desta vez também contou com a parceria da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre e da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI/RS), integra iniciativa do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), voltada ao enfrentamento de facções em todo o país.

“A operação é mais uma iniciativa estratégica no combate às organizações criminosas, especialmente no enfrentamento às facções, atacando diretamente a estrutura financeira. Além disso, destaco a atuação em conjunto da BM e Policia Penal na estratégia para o cumprimento dos mandados, bem como na transferência de apenado que liderava o esquema”, destacou o coordenador estadual do GAECO, Rogério Meirelles Caldas.

BOI FANTASMA

A apuração, iniciada a partir de relatórios técnicos da BM, foi desenvolvida ao longo de 10 meses. O trabalho revelou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, no qual o grupo, de até 30 pessoas, simulava atividade agropecuária para ocultar recursos ilícitos.

Para isso, arrendou duas propriedades rurais em Alegrete e utilizou “laranjas” para emissão de notas fiscais e Guias de Trânsito Animal (GTAs), sem qualquer movimentação real de rebanho. Monitoramentos, inclusive com uso de drones, confirmaram a inexistência de gado nas áreas investigadas, apesar da intensa movimentação documental.

O esquema era comandado por um traficante, conhecido como “rei do gado”, que atuava de dentro de um presídio, sempre com divisão organizada de tarefas entre familiares e terceiros, responsáveis pela movimentação financeira, ocultação patrimonial e emissão de documentos.

Somente cinco integrantes do núcleo principal movimentaram cerca de R$ 24,8 milhões, especialmente nos últimos dois anos. Parte dos valores foi direcionada a plataformas de apostas, inclusive fora do Estado, como etapa final de dissimulação dos recursos ilícitos. O líder da facção será transferido para o Módulo de Segurança Máxima da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

A investigação apontou mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, como falsidade ideológica, vendas fictícias entre integrantes e movimentações incompatíveis com a renda declarada.

Provas documentais, fiscais, bancárias e técnicas, inclusive dados do sistema de defesa agropecuária, evidenciaram inconsistências, como o tempo reduzido de permanência dos supostos animais nas propriedades, incompatível com o ciclo real de criação, comprovando que o gado existia apenas no papel. Foram apreendidos documentos e celulares, além do sequestro judicial de 15 veículos e de um imóvel.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA

Origem ilícita: recursos provenientes do tráfico de drogas.

Arrendamento rural: utilizava duas propriedades em Alegrete em nome de laranja e de familiar do principal investigado.

Simulação de atividade: emissão de notas fiscais e GTAs sem existência real de gado.

Transações fictícias: compra e venda simuladas de gado inexistente para criar lastro financeiro.

Pulverização de valores: circulação de recursos em contas bancárias de terceiros.

Integração final: envio de valores a empresas e plataformas, como apostas, para ocultação da origem.

DADOS DA OPERAÇÃO

– oito prisões preventivas

– 35 mandados de busca e apreensão

– 30 investigados

– Bloqueio de R$ 100,7 milhões

– Sequestro e apreensão de 15 veículos e de um imóvel

– 10 cidades do RS e duas de SC

– Ações em três presídios do RS

– Transferência do líder da facção para o Módulo de Segurança Máxima da PASC

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Polícia

PRF prende homem em caminhão carregado com mercadorias importadas ilegalmente em Rosário do Sul

Estima-se que o valor da carga ultrapasse 1 milhão de reais

Na madrugada desta quinta-feira (4), a Polícia Rodoviária Federal prendeu um homem em um caminhão carregado com grande quantidade de mercadorias estrangeiras. A ação ocorreu na BR-290, em Rosário do Sul.

Durante ações de combate ao crime, policiais rodoviários federais abordaram um caminhão com placas de Santana do Livramento. Ao vistoriarem o compartimento de carga, os agentes encontraram grande quantidade de perfumes, bebidas e produtos dentários importados ilegalmente.

O motorista do caminhão, um homem de 22 anos e natural de Santana do Livramento, não possuía nenhuma documentação da carga. Ele foi preso em flagrante e encaminhado à polícia judiciária em Santana do Livramento. O caminhão e as mercadorias foram apreendidos e encaminhados ao órgão aduaneiro.

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Polícia

Promotora denuncia pai por tentativa de homicídio após espancamento brutal de menino de 2 anos em Alegrete

As investigações também indicam um histórico contínuo de violência. Perícias identificaram cicatrizes antigas e marcas recentes, sugerindo agressões recorrentes desde novembro de 2025

O laudo do médico-legista revelou um cenário alarmante: lesões espalhadas pelo corpo, rosto e membros da vítima, além de fratura no antebraço esquerdo e um ferimento cortante em região considerada letal do couro cabeludo. O documento confirmou risco concreto de morte.

A atuação do Ministério Público do Rio Grande do Sul reacendeu o debate sobre violência infantil em Alegrete após a denúncia formal contra o pai de um menino de apenas 2 anos, vítima de agressões consideradas extremamente graves.

O caso, que provocou forte comoção social, ganhou novos desdobramentos nesta semana com a confirmação das acusações de maus-tratos e tentativa de homicídio duplamente qualificado.

Segundo o MP-RS, o homem permanece preso preventivamente desde o início de maio de 2026, após ser detido em flagrante. A promotora de Justiça Rochelle Jelinek sustenta que a violência aplicada contra a criança foi tão intensa que o acusado assumiu o risco de matar o próprio filho.

Entre as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público estão o uso de meio cruel — devido ao sofrimento físico extremo imposto à criança — e o recurso que impossibilitou qualquer defesa da vítima, já que o menino estava sozinho com o pai e não possuía condições físicas de reação.

 A escola da criança já havia percebido sinais de maus-tratos e alertado a mãe, que agora também responderá judicialmente por omissão.

O caso causou indignação nas redes sociais e mobilizou a comunidade alegretense, reforçando a importância das denúncias precoces. Especialistas lembram que mudanças bruscas de comportamento, hematomas frequentes e medo excessivo podem ser sinais de violência infantil.

O Ministério Público destacou que a proteção da infância depende da participação ativa da sociedade. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100, Conselho Tutelar ou Brigada Militar.

A tragédia reacende um alerta urgente: silenciar diante de sinais de agressão pode custar vidas.

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