Polícia
MP desbarata em Alegrete, quadrilha do “rei do gado” que movimentou mais de R$ 100 MI com “gado papel.
Nesta terça-feira, 9 de junho, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do 9° Núcleo Regional — Campanha — do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e junto com a Brigada Militar (BM) e Polícia Penal, deflagrou a Operação Boi Fantasma, terceira etapa da Operação Convergência Nacional RS.
O objetivo é desarticular um esquema criminoso de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas baseado na simulação de comércio de bovinos inexistentes, com base em Alegrete, na Fronteira Oeste.
A investigação identificou uma organização criminosa que movimentou cerca de R$ 100 milhões com uso de propriedades rurais arrendadas e transações fictícias, resultando no cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão e oito de prisão preventiva, além de ações no Estado vizinho, com apoio do GAECO do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
As ordens judiciais ocorrem em Alegrete (12), Quaraí (2), Pelotas (7), Capão do Leão, Itaqui, Canoas, São Leopoldo e Porto Alegre, além de ações em presídios de São Gabriel, Uruguaiana e Cachoeira do Sul, bem como em Palhoça e Joinville, no estado catarinense.
A ação, que desta vez também contou com a parceria da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre e da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI/RS), integra iniciativa do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), voltada ao enfrentamento de facções em todo o país.
“A operação é mais uma iniciativa estratégica no combate às organizações criminosas, especialmente no enfrentamento às facções, atacando diretamente a estrutura financeira. Além disso, destaco a atuação em conjunto da BM e Policia Penal na estratégia para o cumprimento dos mandados, bem como na transferência de apenado que liderava o esquema”, destacou o coordenador estadual do GAECO, Rogério Meirelles Caldas.
BOI FANTASMA
A apuração, iniciada a partir de relatórios técnicos da BM, foi desenvolvida ao longo de 10 meses. O trabalho revelou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, no qual o grupo, de até 30 pessoas, simulava atividade agropecuária para ocultar recursos ilícitos.
Para isso, arrendou duas propriedades rurais em Alegrete e utilizou “laranjas” para emissão de notas fiscais e Guias de Trânsito Animal (GTAs), sem qualquer movimentação real de rebanho. Monitoramentos, inclusive com uso de drones, confirmaram a inexistência de gado nas áreas investigadas, apesar da intensa movimentação documental.
O esquema era comandado por um traficante, conhecido como “rei do gado”, que atuava de dentro de um presídio, sempre com divisão organizada de tarefas entre familiares e terceiros, responsáveis pela movimentação financeira, ocultação patrimonial e emissão de documentos.
Somente cinco integrantes do núcleo principal movimentaram cerca de R$ 24,8 milhões, especialmente nos últimos dois anos. Parte dos valores foi direcionada a plataformas de apostas, inclusive fora do Estado, como etapa final de dissimulação dos recursos ilícitos. O líder da facção será transferido para o Módulo de Segurança Máxima da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).
A investigação apontou mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, como falsidade ideológica, vendas fictícias entre integrantes e movimentações incompatíveis com a renda declarada.
Provas documentais, fiscais, bancárias e técnicas, inclusive dados do sistema de defesa agropecuária, evidenciaram inconsistências, como o tempo reduzido de permanência dos supostos animais nas propriedades, incompatível com o ciclo real de criação, comprovando que o gado existia apenas no papel. Foram apreendidos documentos e celulares, além do sequestro judicial de 15 veículos e de um imóvel.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
Origem ilícita: recursos provenientes do tráfico de drogas.
Arrendamento rural: utilizava duas propriedades em Alegrete em nome de laranja e de familiar do principal investigado.
Simulação de atividade: emissão de notas fiscais e GTAs sem existência real de gado.
Transações fictícias: compra e venda simuladas de gado inexistente para criar lastro financeiro.
Pulverização de valores: circulação de recursos em contas bancárias de terceiros.
Integração final: envio de valores a empresas e plataformas, como apostas, para ocultação da origem.
DADOS DA OPERAÇÃO
– oito prisões preventivas
– 35 mandados de busca e apreensão
– 30 investigados
– Bloqueio de R$ 100,7 milhões
– Sequestro e apreensão de 15 veículos e de um imóvel
– 10 cidades do RS e duas de SC
– Ações em três presídios do RS
– Transferência do líder da facção para o Módulo de Segurança Máxima da PASC
Polícia
PRF prende homem em caminhão carregado com mercadorias importadas ilegalmente em Rosário do Sul
Estima-se que o valor da carga ultrapasse 1 milhão de reais
Na madrugada desta quinta-feira (4), a Polícia Rodoviária Federal prendeu um homem em um caminhão carregado com grande quantidade de mercadorias estrangeiras. A ação ocorreu na BR-290, em Rosário do Sul.
Durante ações de combate ao crime, policiais rodoviários federais abordaram um caminhão com placas de Santana do Livramento. Ao vistoriarem o compartimento de carga, os agentes encontraram grande quantidade de perfumes, bebidas e produtos dentários importados ilegalmente.
O motorista do caminhão, um homem de 22 anos e natural de Santana do Livramento, não possuía nenhuma documentação da carga. Ele foi preso em flagrante e encaminhado à polícia judiciária em Santana do Livramento. O caminhão e as mercadorias foram apreendidos e encaminhados ao órgão aduaneiro.
Polícia
Promotora denuncia pai por tentativa de homicídio após espancamento brutal de menino de 2 anos em Alegrete
As investigações também indicam um histórico contínuo de violência. Perícias identificaram cicatrizes antigas e marcas recentes, sugerindo agressões recorrentes desde novembro de 2025
O laudo do médico-legista revelou um cenário alarmante: lesões espalhadas pelo corpo, rosto e membros da vítima, além de fratura no antebraço esquerdo e um ferimento cortante em região considerada letal do couro cabeludo. O documento confirmou risco concreto de morte.
A atuação do Ministério Público do Rio Grande do Sul reacendeu o debate sobre violência infantil em Alegrete após a denúncia formal contra o pai de um menino de apenas 2 anos, vítima de agressões consideradas extremamente graves.
O caso, que provocou forte comoção social, ganhou novos desdobramentos nesta semana com a confirmação das acusações de maus-tratos e tentativa de homicídio duplamente qualificado.
Segundo o MP-RS, o homem permanece preso preventivamente desde o início de maio de 2026, após ser detido em flagrante. A promotora de Justiça Rochelle Jelinek sustenta que a violência aplicada contra a criança foi tão intensa que o acusado assumiu o risco de matar o próprio filho.
Entre as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público estão o uso de meio cruel — devido ao sofrimento físico extremo imposto à criança — e o recurso que impossibilitou qualquer defesa da vítima, já que o menino estava sozinho com o pai e não possuía condições físicas de reação.
A escola da criança já havia percebido sinais de maus-tratos e alertado a mãe, que agora também responderá judicialmente por omissão.
O caso causou indignação nas redes sociais e mobilizou a comunidade alegretense, reforçando a importância das denúncias precoces. Especialistas lembram que mudanças bruscas de comportamento, hematomas frequentes e medo excessivo podem ser sinais de violência infantil.
O Ministério Público destacou que a proteção da infância depende da participação ativa da sociedade. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100, Conselho Tutelar ou Brigada Militar.
A tragédia reacende um alerta urgente: silenciar diante de sinais de agressão pode custar vidas.
Polícia
Brigada Militar prende homem por tráfico de drogas no Centro de Alegrete após denúncia da comunidade
Uma ação da Brigada Militar resultou na prisão em flagrante de um homem de 33 anos por tráfico ilícito de drogas na tarde desta quarta-feira (20), no bairro Centro, em Alegrete.
A ocorrência demonstra a importância do papel das denúncias da comunidade e da atuação rápida das forças de segurança no combate ao tráfico urbano.
Segundo informações da corporação, a guarnição recebeu denúncias de que uma residência localizada na Rua General Vitorino estaria sendo utilizada para comercialização de entorpecentes.
Durante a aproximação da viatura, os policiais visualizaram um indivíduo saindo do imóvel. Ao perceber a presença policial, ele retornou rapidamente à residência, deixou uma mochila e saiu em uma motocicleta.
O suspeito foi abordado logo depois. Durante a revista pessoal, os policiais encontraram 20 invólucros do tipo “zip-lock” contendo substância com características semelhantes à cocaína, além de dinheiro em espécie.
Na mochila abandonada pelo homem, foram apreendidos uma balança de precisão e um aparelho celular.
Em continuidade às diligências no imóvel, os policiais localizaram outros 31 invólucros com substância análoga à cocaína e um caderno com anotações relacionadas ao tráfico de drogas. A motocicleta utilizada pelo suspeito também foi apreendida.
Após ser encaminhado à UPA para avaliação médica, o homem foi apresentado na DPPA, onde o delegado plantonista determinou a lavratura do auto de prisão em flagrante.
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