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Em Campo

Pecuaristas podem ter caído em golpe de R$ 30 milhões com a venda de gado

Produtores rurais de pelo menos 10 cidades da Região Central podem ter sido vítimas de um dos maiores golpes da história do agronegócio do país. O prejuízo com a venda de gado para um atravessador, que não pagou pelos animais, ultrapassaria R$ 30 milhões.

Conforme a reportagem do Bei apurou, o negociador de gado, que seria natural de Caçapava do Sul mas morador de Formigueiro, mantinha um esquema de compra e venda de gado suspeito de ser, na verdade, uma fraude. Ele adquiria gado de produtores para pagamento a prazo e venderia os animais a menor preço em arremates para pagamento à vista.

Inicialmente, o sistema estaria funcionando. Porém, com o passar do tempo, os prazos para pagamento do gado foram vencendo e a bola de neve foi aumentando. A história foi contada pelas próprias vítimas à reportagem do Bei na tarde de ontem. A Polícia Civil investiga as mais de 10 denúncias feitas contra o suspeito, que está desaparecido e não atende ligações nem responde mensagens no WhatsApp.

Ainda muito abalado, um produtor de 45 anos diz ter sofrido prejuízo de R$ 4,5 milhões. A vítima diz que ainda não acredita no que está acontecendo. Há quase 30 anos trabalhando no ramo, ele conta que o negociador era considerado como um amigo e que negociava gado e frequentava a casa da vítima há mais de dois anos.

Após vários bons negócios, a vítima negociou 542 cabeças de gado com o suspeito. Dessas, 342 novilhas estavam prenhas. O negociador têm até este domingo para pagar, mas o produtor teme não receber.

– Eu não tinha o que falar dele. Em questão de 15 dias, ele fez a minha vida dar um giro de 360 graus. Fui na delegacia e tinham seis pessoas lá registrando ocorrência do mesmo caso. Eu estou sem chão. Não tenho força para nada – revela.

Segundo o pecuarista, todos os clientes do atravessador tinham confiança nele. Por isso, o homem obtinha crédito em todas as praças de leilão:

– Eu estou quebrado, não tenho como me levantar. Tenho que fechar as porteiras da fazenda. O que estou sentindo é o pior possível. Ele não levou só o gado, ele levou uma vida inteira de trabalho. Depois de vender para ele, eu comprei muito terneiro e agora tenho que honrar a minha palavra. As pessoas de quem eu comprei não têm nada a ver com o golpe que eu levei.

 

OUTROS ESTADOS
O suspeito já teria vendido muitos animais adquiridos na região para frigoríficos do Mato Grosso e de Goiás. Por isso, as vítimas temem nunca receber o dinheiro pelo gado.

Outro pecuarista, de 70 anos, e o filho contam que perderam R$ 116 mil com a venda de 43 animais. Esse foi o primeiro negócio malfeito pela família ao longo de 70 anos e, também, o primeiro realizado com o atravessador de Formigueiro.

– Tenho esperança de receber, mas é meio difícil. Acho que ele vendeu o gado, recebeu e ficou com o dinheiro – diz o idoso.

As delegacias da Polícia Civil de Formigueiro e Caçapava do Sul confirmam as investigações, mas não revelam detalhes. 

VÍTIMA ESTÁ SUPRESA
Outro produtor rural de Formigueiro admite estar surpreso com as denúncias envolvendo o atravessador, já que negociava havia muito tempo com o suspeito. A vítima ainda não registrou um boletim de ocorrência na delegacia.

– Não se tem o que dizer da família dele. Comecei comprando gado dele e depois passei a vender. Não sei se ele se perdeu com as contas, ou o que aconteceu – revela.

Conforme o pecuarista, todas possíveis vítimas estão tentando entender o que está acontecendo, já que o atravessador sempre pagava corretamente.

– Vou fazer uma ocorrência porque não se sabe o que aconteceu. Ele sempre me pagou certinho, parcelava, mas de uma semana para cá, estourou – conta.

Segundo o produtor, o atravessador pagou com um cheque. Ele só irá retirar a queixa na polícia caso receba o dinheiro.  

Foto: Arquivo Pessoal
Suspeito participaria de remates de animais, mas faria a compra por valores acima do mercado e venderia por menos

AMIZADE COM JOGADOR E NOVO REI DO GADO
O homem suspeito de aplicar o golpe milionário contra produtores de gado da região levaria uma vida simples antes de ingressar no ramo de compra de venda de animais. Morador de Formigueiro, ele teria ingressado na atividade há cerca de dois anos, em cidades como Manoel Viana e São Francisco de Assis. 

O impulso financeiro para poder adquirir animais teria vindo da suposta amizade com um jogador gaúcho que teria ganho muito dinheiro atuando em clubes do Exterior. A participação do atleta ainda é mera especulação, e não se sabe se o suspeito de aplicar golpes usaria o nome do jogador apenas para avalizar seus negócios e conquistar a confiança de produtores rurais.

No começo de 2021, o suspeito, que tem na faixa de 30 anos, teria começado a comprar animais em remates em mais municípios, entre eles Lavras do Sul, Caçapava do Sul, São Sepé, Restinga Sêca, Formigueiro, Júlio de Castilhos e Rosário do Sul. Foi quando a vida pessoal teria começado a mudar. Um morador de Formigueiro conta que a família do homem é simples e honesta. Mas chamou a atenção que o atravessador comprou uma caminhonete nova e passou a demonstrar um padrão de vida mais elevado. Sinais de que os negócios iam bem. 

Há poucos meses, em uma tarde, o suspeito teria comprado uma grande quantidade de gado em Formigueiro. Uma operação logística foi montada para o transporte dos animais, o que chamou a atenção da população.

– Em uma tarde, vi passar oito carretas carregadas na frente de casa – revela o morador, surpreso com a cena incomum para o município. 

COMPRA DE CASA
Não demorou para os produtores começarem a chamá-lo, informalmente, de novo rei do gado gaúcho, em referência ao famoso personagem Bruno Mezenga, interpretado pelo ator Antonio Fagundes na novela O Rei do Gado, da Rede Globo, na década de 1990.

Recentemente, o suposto golpista teria comprado uma casa no valor de mais de R$ 1 milhão em Formigueiro, negócio que não teria sido concretizado devido às desconfianças cada vez maiores em relação ao seu nome. Desaparecido há alguns dias, seu paradeiro é desconhecido. Na região, circula a informação de que o “rei do gado” estaria na Europa.  

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Em Campo

Noite dramática desperta o heroísmo de produtores no combate à incêndios

 Em madrugada dramática, a senhora Ivanete Dambrós Petrocelli, junto com os filhos, vizinhos e amigos se uniram para salvar propriedades de fogo que começou na estância da Charua

Na madrugada deste dia 20 de março, um incêndio de grandes proporções atingiu a localidade do Vasco Alves, em Alegrete. Ivanete Dambrós Petroce

lli, com a ajuda de filhos, amigos e vizinhos, lutou contra as chamas que ameaçavam casas, plantações e animais.

A comunidade usou baldes, pelegos molhados, um trator e máquinas de passar secantes para tentar controlar o fogo, que começou na manhã anterior na estância da Charua e se intensificou à tarde.

Apesar de um controle inicial, um foco remanescente reacendeu o incêndio, levando a uma situação crítica. Os esforços para combater as chamas duraram das 19h até às 3h da madrugada seguinte.

Ivanete criticou a falta de apoio dos órgãos públicos, afirmando que, mesmo após buscar ajuda do exército, bombeiros e prefeitura, a resposta foi insuficiente, deixando a comunidade a enfrentar a calamidade com seus próprios recursos.

O fogo, que ocorreu a cerca de 23 quilômetros de Alegrete, afetou diretamente as propriedades Santo Antônio e Estância da Árvore.

Moradores, incluindo funcionários e proprietários das áreas afetadas, uniram-se para combater o incêndio, utilizando um trator e técnicas improvisadas. Apesar da gravidade, a ausência de ventos fortes evitou que o incêndio se intensificasse ainda mais. A comunidade conseguiu controlar o fogo, evitando danos maiores.

O DESABAFO DE UMA MÃE DIANTE DA LUTA CONTRA UMA SITUAÇÃO GRAVE

Venho aqui com uma revolta mto grande, ontem mais uma vez, a zona rural do nosso município foi deixada à própria sorte. Um incêndio de grande proporção que começou cedo tomou conta de várias terras, colocando em risco casas, plantações, animais e vidas. Diante do desespero que estavamos enfrentendo, buscamos ajuda dos órgãos públicos, mas o que recebemos? Silêncio, descaso e promessas vazias.

Sem outra alternativa, os próprios moradores incluindo meus filhos, tiveram que se unir e enfrentar as chamas com as próprias mãos, usando baldes, pelegos molhados, tratores, pulverizadores e a força da união. Enquanto o fogo avançava, percebemos que aqueles que deveriam proteger e apoiar a população simplesmente nos abandonaram. Fui atrás do exército, bombeiros, prefeito, e oque recebi? Estamos vendo, se fosse depender do resolver deles teria pego fogo em todas casas.

Até quando vamos assistir a esse descaso? Até quando a zona rural será ignorada? Precisamos de respostas, precisamos de investimentos, precisamos ser ouvidos! Hoje apagamos o fogo sozinhos, mas amanhã, quem garantirá que não perderemos tudo??
Aqui estão os verdadeiros heróis, não teve avião, não teve bombeiros que contessem o fogo, foram eles que passaram o dia inteiro, e noite a dentro tentando apagar aquele imenso fogo pra não pegar nas casas.

 

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Cidade

Sol de rachar não impede Meneghetti de se unir aos moradores para fazer mutirão

Temperatura bem acima dos 40 graus centígrados e em pleno domingo.  Mutirão de Limpeza no Campo do Palmeiras. Meneghetti contou com a ajuda do setor do agronegócio

No dia do descanso semanal, era 7h30 e o sol com seus 38 graus, não foi páreo para as famílias que participam com seus filhos do projeto de Futebol no Campo do Palmeiras, dessem início ao mutirão de limpeza tanto do campo de jogo, tanto do local de refúgio, que fica entre árvores.

O local fica no bairro Capão do Angico. Um esforço para garantir que a área de lazer ficasse mais aprazível para todos.

O Vereador Leandro Meneghetti (PL), a convite do grupo participou ativamente da atividade, onde contou com o auxílio de amigos do setor do agro para ajudar na limpeza e também com máquina e implemento para a retirada dos entulhos.

O POVO PELO POVO

Antes de iniciar os jogos, a motivação uniu homens, mulheres e crianças, que juntaram garrafas, latas, plásticos, metais e até uma cama com colchão para deixar o local prazeroso para todos.

Mesmo com a falta de infraestrutura nós continuamos confiantes em levar adiante esse projeto que tanto agrega para as famílias que apoiam ativamente seus filhos. Hoje fizemos essa atividade e deu muito certo pelo apoio de todos.”, comenta Marta, uma das dirigentes do projeto.

O final das atividades culminou com uma ação dos participantes do projeto onde foram entregues kits de material escolar às crianças e também foi servido cachorro quente e refrigerante.

Foi uma ação simples, que contou com a ajuda de todos, onde o objetivo foi o de deixar um lugar melhor para as famílias que vem prestigiar e apoiar seus filhos, que na maioria das vezes não tem aonde ir e também de conscientizar a população de ajudar mais nessa questão do lixo e de outros materiais que são descartados em qualquer lugar. Reforço que cada um precisa fazer sua parte, constantemente, a questão ambiental também é sinônimo de saúde, educação”, fala Meneghetti.

Ele também se emocionou com o gesto do mutirão que está ajudando crianças e adolescentes a saírem do ciclo de drogadição, alcoolismo, violência e outras questões sociais que são preocupantes aos órgãos públicos.

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Em Campo

“Ambientalismo” mira o bioma pampa

Pesquisadores e ambientalistas buscam soluções sustentáveis para proteger a biodiversidade do Pampa

No Sul do Brasil, uma batalha ambiental está em andamento para preservar a rica biodiversidade do Pampa, um bioma que enfrenta desafios devido à entrada de espécies exóticas e práticas de silvicultura.

Essas atividades já resultaram na perda de mais de 30% da vegetação nativa ao longo das últimas quatro décadas. A situação mobiliza pesquisadores e militantes ambientalistas que buscam na ciência as metodologias adequadas para combater as espécies invasoras, respeitando os diferentes contextos em que são empregadas nas atividades econômicas do Estado.

O Pampa, que recobre 63% do estado do Rio Grande do Sul, é uma região de campos nativos sob clima subtropical, abrigando pelo menos 12.503 espécies de plantas, animais, fungos e bactérias.

Este bioma, que se estende também pelo nordeste argentino e todo o Uruguai, totalizando uma superfície de 100 milhões de hectares, enfrenta uma acelerada conversão de sua vegetação nativa.

Entre 2008 e 2018, três milhões e meio de hectares foram destruídos pela ação antrópica no Rio Grande do Sul, com apenas 3,23% do bioma sob proteção ambiental.

A pressão pela supressão da vegetação nativa vem de todos os lados, com a agricultura ostensiva e o plantio de pinheiros exóticos sendo alguns dos principais vetores de pressão.

A invasão de espécies de gramíneas exóticas, como o capim-annoni, que ocupa cerca de 20% das áreas originais do bioma, é outro problema.

O manejo inadequado dos campos, seja pelo excesso de pastejo pela pecuária ou pela remoção de pastejadores, favorece a expansão de espécies arbóreas e a formação de bancos de areia.

Diante deste cenário, cientistas e membros do terceiro setor buscam caminhos para que o Pampa não apenas sobreviva, mas também prospere, sem remover as atividades econômicas e socioculturais historicamente desenvolvidas na região.

A pecuária extensiva em campo nativo é apontada como uma atividade econômica compatível com a conservação da biodiversidade, sendo o gado considerado um aliado neste processo.

Iniciativas como a Alianza del Pastizal buscam incentivar produtores rurais a promover a conservação de áreas de campo nativo dentro de suas propriedades, através de técnicas de manejo favoráveis ao meio ambiente.

A região da área de proteção ambiental do Ibirapuitã, criada em 1992, é especialmente importante para os estudos de recuperação ambiental, abrigando uma das regiões mais bem preservadas do Pampa.

 

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