Agro Notícia
Produtores fazem desabafo pelos descasos da Prefeitura no interior
Não é de hoje, mas cada vez aumentam às queixas, que produtores rurais denunciam sobre à precariedade de conservação de estradas do interior.
Neste fim-de-semana pelo menos dois novos apelos e denúncias chegaram até à redação on line do EQ.
Na primeira, uma produtora rural escreveu:
Terra de ninguém
Se tiver um carro na frente da minha garagem chamo os azuizinhos.
E se tiver 50 vacas na frente da minha porteira chamo quem? Não consegui descobrir.
Tenho uma propriedade no final do corredor municipal, que é meu único acesso. Como todas as estradas municipais em péssimo estado.
No pedaço final deste corredor nunca passou uma máquina do município.
Este ano com estas chuvas constantes resolvemos arrumar por conta própria. Metade para mim metade para meu sócio. Foram mais de 6 mil jogados no lixo.
Um vizinho que acha que têm mais direito que os outros , colocou 50 cabeças no corredor.
Chuva e quase 20 mil quilos de vacas transitando na estrada, o que era cascalho virou lodo e barro.
Prefeitura, Inspetoria ( não tinha ninguém da fiscalização) e delegacia um empurra para o outro.

O corredor é do município- a Prefeitura é a responsável.
Um conselho aos produtores, não arrumem seus corredores, se vocês tiverem um vizinho que não se importa com os outros, é dinheiro jogado fora.
Onde está o dinheiro do ITR que pagamos e as máquinas da Prefeitura e a fiscalização?
O SEGUNDO PRODUTOR
No segundo texto, que está nas redes sociais, Cícero Pereira, escreve o seguinte:
A estrada do Rincão de São Miguel é o seguinte: se alguma pessoa tiver algum problema grave de Saúde, – sofre um acidente; tipo um corte com ferramentas ou implementos agrícolas- , nossos funcionários, ou a peonada venha a sofrer uma rodada de cavalo, um acidente na lida de campo e mangueira, e precisar de um socorro de ambulância, ou de uma amioneta ou Carro e tiver que trazer na Cidade, certamente não vai chegar a tempo no Hospital para atendimento médico.
Vai morrer na metade do caminho, porque a estrada não permite um deslocamento rápido para salvar uma vida.
O tempo chuvoso, úmido, molhado não justifica o descaso e abandono da via de acesso de um dos maiores Sub-distritos do Alegrete.
Porque quem quer trabalhar não escolhe tempo ruim ou bom. Se tá Molhado poderiam muito bem ir fazendo algumas limpezas de valeta ou bueiros Com uma retro-escavadeira.
O produtor rural com tempo ruim, ou tempo bom, cumpre com o seu papel de produzir alimentos. Plantamos e colhemos o arroz, a soja (agora plantamos o trigo, as pastagens), e produzimos os terneiros, os cordeiros, engordamos as vacas, os bois, além do leite. Não para um dia de chegar na cidade.
Enfim, toda a Cadeia Produtiva continua em plena produção, e nós produtores empregamos muita gente. Assim como não deixamos de ir e vir nas nossas propriedades.
O que não dá para aceitar é muito lambe -lambe, muito esfrega esfrega, e muitos horáriozinhos de mariquinha para não ir trabalhar e fazer o serviço na campanha. Poderiam ir muito bem e passar a semana toda na campanha fazendo os reparos nas estradas e ficar acampados em algum galpão de estância, ou de Granja.
Tenho a certeza que em pouco tempo teríamos as estradas rurais do Alegrete todas recuperadas e com condição de trafegabilidade.
Ass. Cícero Roberto Peres Pereira – CICINHO DO RINCÃO
Agro Notícia
Sisb. Entre falsas promessas e atrasos, apenas duas agroindústrias são reabilitadas
Alegrete paga pela negligência oficial
A narrativa oficial divulgada pela Prefeitura de Alegrete tenta vender como “conquista” aquilo que, na realidade, é apenas a correção de uma falha grave de gestão.
Desde novembro de 2025, nove agroindústrias do município foram desabilitadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) justamente porque o Executivo municipal não cumpriu os trâmites legais exigidos para manter a certificação do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI).
Durante estes meses, produtores locais ficaram à mercê de informações desencontradas e até falsas, enquanto a economia rural sofria com a paralisação de atividades que dependem diretamente do selo de inspeção para comercializar em escala nacional.
O prejuízo não foi apenas financeiro: a credibilidade do setor agroindustrial de Alegrete foi colocada em xeque, afetando trabalhadores, consumidores e a imagem do município.
Somente agora, após a Prefeitura finalmente se enquadrar nas normas legais, o MAPA autorizou a reabilitação de duas agroindústrias — o Matadouro São Jorge e a Agroindústria Super Ícaro. É importante destacar que essa decisão não representa uma vitória política, mas sim um reparo tardio a um problema criado pela própria administração municipal.
O discurso triunfalista da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, ao anunciar a retomada da certificação, ignora o fato de que a desabilitação inicial foi consequência direta da negligência administrativa.
O que se apresenta como “nova fase” deveria ser encarado como um alerta: sem responsabilidade e transparência, o setor produtivo continuará vulnerável a decisões equivocadas e à falta de rigor no cumprimento das exigências legais.
Em resumo, a reabilitação de apenas duas agroindústrias não apaga os meses de prejuízo e insegurança enfrentados pelo setor. Alegrete precisa menos de discursos comemorativos e mais de gestão eficiente, capaz de garantir estabilidade e confiança para quem produz e para quem consome.
Agro Notícia
Produtores de Alegrete enfrentam prejuízos crescentes com ataques de javalis
A presença descontrolada de javalis tem se tornado uma ameaça constante à produção agropecuária em Alegrete, na região da Campanha Gaúcha. Além de devastarem lavouras, os animais silvestres agora avançam sobre criações de ovelhas e outros animais de pequeno porte, gerando prejuízos incalculáveis aos produtores locais.
João Pacheco, produtor com propriedades nas localidades de Pai Passo e Rincão de São Miguel, relata que os ataques são frequentes e devastadores. “Deixei de criar cordeiros no Pai Passo porque não ficava nenhum vivo. É lamentável e acarreta prejuízos a quem produz e trabalha”, afirma. Segundo ele, nem mesmo os pequenos produtores são poupados, e as perdas nas lavouras são difíceis de mensurar.
Apesar de possuir licença do Exército e do Ibama para realizar a caça controlada dos javalis, Pacheco denuncia a burocracia e os altos custos envolvidos na aquisição de armas e munições. Enquanto isso, os animais continuam se proliferando e atacando rebanhos e plantações. “Eles comem cordeiros, terneiros, destroem lavouras e ninguém faz nada para conter essa procriação”, lamenta.
Uma das estratégias adotadas por produtores da região tem sido a instalação de gaiolas para captura dos javalis. No entanto, a eficácia das armadilhas é limitada. “Às vezes demora meses para que algum seja atraído e preso”, explica Pacheco.
Além dos prejuízos econômicos, há também impactos ambientais. Os javalis têm atacado ninhos de aves que se reproduzem no chão, como o quero-quero e corujas, colocando em risco a biodiversidade local. “Isso poderá acarretar inclusive a extinção de aves e pequenos animais silvestres”, alerta o produtor.
Pacheco também critica a falta de compreensão por parte da sociedade sobre o trabalho dos agricultores. “Muitos acham que destruímos, mas estamos preservando cada vez mais. Seguimos as leis e precisamos das terras”, defende.
A situação em Alegrete evidencia a urgência de políticas públicas mais eficazes para o controle da população de javalis e o apoio aos produtores que enfrentam essa ameaça diariamente.
Agro Notícia
O sábado de calor atrai grande público no primeiro dia da Expointer
O termômetro já batia os 35 graus em torno das 15h deste sábado (30/8), na área central do Parque Estadual de Exposições Assis Brasil.
No local, havia movimento frenético do público que se dividia entre uma grande variedade de atrações da Expointer, como artesanato, programação de shows, degustação, maquinário agrícola, Freio de Ouro, exposições e julgamento de animais, banho de leite, Pavilhão da Agricultura Familar, gastronomia, Pavilhão dos Pequenos Animais, parque de diversões, palestras e oficinas.
Natural de Esteio, Juliano Fetter, proprietário de academia, veio com a família – cunhado, irmão, esposa, avó e a pequena Luísa, agarrada no colo do pai. “Ela veio logo pra ver os animais. Era uma coisa que a gente fazia muito quando eu era criança, com a minha família. E agora eu aproveitei esse final de semana”, afirmou Juliano. “Num lugar onde a gente se criou quando era mais novo. Vínhamos todos os anos pra cá. É bom poder lembrar um pouco também disso”, contou.
Prestigiando a produção e a pujança do RS na feira
Um pouco mais adiante, no Pavilhão Internacional, a Feira de Azeites mostrava produtores de diferentes regiões do Estado.
O casal Paulo Corrêa Rodrigues, contador, e Iris Amaral Rodrigues, aposentada, foi atraído, em especial, pelo azeite de noz-pecã. “Na verdade, eu sou natural de Cachoeira do Sul e por lá se fala muito em noz-pecã”, contou Paulo. “Na feira, eu gosto de ver os animais bonitos”, disse Iris.
“Em primeiro lugar, minha origem vem no campo. Em segundo, isso aqui é uma demonstração da produção e da pujança do Brasil e, principalmente, do nosso Estado, né? Acho que toda pessoa que sai do campo tem esse sonho de que, mesmo se não tiver alguma coisa, que possa olhar e conhecer. Tem que prestigiar isso”, finalizou Paulo.
Expointer 2025
A 48ª Expointer segue até 7 de setembro no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, reunindo mais de 800 eventos e atrações ligadas ao agronegócio. A previsão do tempo para domingo (31/8) é de um dia parcialmente nublado, com temperaturas próximas dos 30 graus.
Texto: Rodrigo Martins/Ascom Espointer
Edição: Camila Cargnelutti/Ascom Expointer
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