Saúde
Covid-19: Guerra gerar falta de oxigênio para pacientes na Ucrânia
André Biernath – @andre_biernath – Da BBC News Brasil em Londres
Em meio a tantas notícias sobre bombardeios e ataques, um aspecto relevante sobre a guerra na Ucrânia tem passado despercebido por muitas análises: o conflito acontece em meio à pandemia de covid-19, doença que acometeu 5 milhões e matou 112 mil cidadãos deste país localizado no leste da Europa.
Uma preocupação constante das agências internacionais de saúde é a falta de equipamentos e medicamentos essenciais para garantir a sobrevivência dos pacientes com covid em estado mais grave, como o oxigênio.
Em sites que compilam estatísticas sobre a crise global de saúde pública, como o Our World In Data , criado na Universidade de Oxford, no Reino Unido, as atualizações sobre os números de casos e mortes por covid na Ucrânia ficaram paralisados por uma semana a partir de 24 de fevereiro, dia em que as forças militares russas cruzaram as fronteiras e começaram a invadir o território vizinho.
Naquele momento, a Ucrânia parecia estar saindo de uma quarta onda de casos e mortes relacionadas à variante ômicron do coronavírus. Em 9 de fevereiro, o país bateu o recorde de novas infecções, com o registro de 37 mil novos diagnósticos em 24 horas, como você confere nos gráficos a seguir.
Desde então, esse número está em queda e bateu os 26,7 mil em 24/2. No dia 3 de março, as notificações voltaram a ser atualizadas, mas é esperado que os sistemas de vigilância do país tenham enfrentado muitos problemas e os números não representem 100% a realidade.
Na Ucrânia, o pico diário de mortes aconteceu em novembro de 2021, com 712 óbitos por covid em 12/11.
Na atual onda da ômicron, a curva de mortalidade segue num patamar mais baixo, a exemplo do que é observado em outros países do globo, embora ela ainda não tenha mostrado sinais de descenso até 24 de fevereiro, quando as notificações sobre o país tiveram uma pausa de uma semana nos repositórios internacionais.
Falta de recursos
Além do “apagão” de dados sobre a pandemia nessa primeira semana de guerra, entidades internacionais chamam a atenção para a escassez de insumos básicos para tratar os pacientes mais críticos.
No dia 27 de fevereiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) soltou um primeiro alerta sobre o assunto, dizendo que “o suprimento de oxigênio está chegando num ponto muito perigoso na Ucrânia”.
“Caminhões não conseguem mais transportar os tanques de oxigênio das fábricas até os hospitais espalhados por todo o país, incluindo para a própria capital Kiev”, informa a entidade, por meio de uma nota publicada em seu site.
“A maioria dos hospitais pode ficar sem reservas de oxigênio em 24 horas, o que coloca milhares de vidas em risco”, continua o texto.
A OMS calcula que entre 1,7 mil e 2 mil ucranianos estejam internados com covid no momento e possam necessitar do oxigênio.
A organização também lembrou que esse insumo não serve apenas para quem apresenta complicações da infecção pelo coronavírus, mas também é prescrito para outros quadros críticos, que acometem desde bebês recém-nascidos até idosos.
Numa coletiva de imprensa realizada no dia 2 de março, representantes da entidade voltaram a bater nessa mesma tecla.
“Pelo menos três importantes fábricas de oxigênio da Ucrânia estão fechadas agora e nós estamos buscando maneiras de trazer esse insumo de países vizinhos para entregar nos locais onde ele está em falta”, detalhou o biólogo etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
O líder da entidade ainda destacou que há uma “necessidade urgente” de estabelecer rotas para que esses suprimentos médicos sejam transportados pelas regiões onde o conflito se desenrola.
Na segunda rodada de discussões entre representantes russos e ucranianos, que ocorreu em 3/3, um dos consensos foi a criação de “corredores humanitários”, que podem proteger os refugiados e garantir a chegada dos suprimentos médicos aos locais onde eles são mais urgentes.
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O médico irlandês Mike Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, também reforçou a urgência do assunto.
“Oxigênio é um insumo que salva vidas. E quando você precisa dele, é para agora. Não dá pra esperar até amanhã ou a próxima semana. Não existe uma ‘lista de espera’ para oxigênio.”
“Se o oxigênio e outros medicamentos críticos não estiverem disponíveis, as pessoas vão morrer desnecessariamente”, completou.
O que diz o governo da Ucrânia
No site do Ministério da Saúde ucraniano, os conteúdos de maior destaque estão relacionados à urgência da guerra e dos riscos relacionados aos ataques e bombardeios.
É possível ler textos informativos, por exemplo, sobre o que os cidadãos devem fazer quando ouvirem sirenes, como preparar um kit básico de primeiros socorros ou como se proteger durante tiroteios com armas leves e artilharia pesada.
Entre os destaques da página inicial, há também um guia da OMS sobre como desenvolver “habilidades importantes em tempos de estresse” e um apelo para que profissionais de saúde estrangeiros venham ajudar durante a crise.
Num comunicado à imprensa divulgado em 3 de março, o ministério agradece a solidariedade internacional e informa que mais de 500 médicos, enfermeiros e paramédicos de União Europeia, Reino Unido, Suíça, Turquia, Azerbaijão, Israel, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Índia, Jordânia, Brasil e outras nações já se voluntariam para trabalhar nos hospitais ucranianos.
Mais especificamente sobre a covid e a falta de insumos básicos, o governo afirmou em 2 de fevereiro que havia realizado novas entregas aos hospitais a situação do suprimento de oxigênio estava “sob controle” naquele momento.
“Gostaríamos de informar que os parceiros de logística estão trabalhando, mas os prazos, infelizmente, são ajustados em função das ações agressivas das tropas da Federação Russa”, escreveram os representantes do ministério.
O que dizem as instituições internacionais
Além da OMS e do próprio governo ucraniano, diversas outras entidades de saúde se manifestaram nos últimos dias sobre a guerra na Ucrânia.
Os Médicos Sem Fronteiras, por exemplo, declararam que suas equipes em solo ucraniano estão “profundamente preocupadas com as consequências do conflito para o povo e as comunidades”.
A entidade ainda afirmou que está conduzindo atividades de resposta emergencial não apenas nas cidades onde acontecem os conflitos, mas também em Polônia, Moldávia, Hungria, Romênia e Eslováquia, os países que estão recebendo os refugiados ucranianos.
Já o Comitê Internacional da Cruz Vermelha está adotando uma estratégia semelhante e diz que “continuará perto das comunidades afetadas, para ajudá-las a lidar com as necessidades básicas e a preparação necessária para esses tempos desafiadores”.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 1 milhão de cidadãos da Ucrânia tiveram que deixar suas casas nos últimos dias em razão da guerra.
E esse deslocamento massivo também traz outras preocupações relacionadas à pandemia: ainda não se sabe ao certo o impacto que essa locomoção de tantos indivíduos num curto espaço de tempo pode ter na transmissão do coronavírus nas regiões fronteiriças e nos países vizinhos.
Até 24/2, apenas 36% dos ucranianos haviam recebido ao menos uma dose da vacina contra a covid, segundo os últimos registros disponíveis no site Our World In Data .
Resta saber como os países e os organismos internacionais vão se organizar para evitar o máximo possível a criação de novas cadeias de transmissão do coronavírus na região e garantir o acesso à vacinação e aos serviços de saúde a todos os refugiados.
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Saúde
Governador entrega veículo para Coordenadoria da Saúde
Na sexta-feira, 14 de fevereiro, o governador Eduardo Leite entregou 50 veículos novos à Secretaria da Saúde (SES) em Porto Alegre
Os veículos, sendo 25 sedans e 25 caminhonetes 4×4, custaram cerca de R$ 8,1 milhões, com recursos do Estado e do governo federal. Destinados às 18 coordenadorias regionais da SES e ao nível central, os carros visam melhorar a prestação de serviços de saúde.
A cerimônia contou com autoridades, como o próprio Governador Eduardo Leite, o deputado Frederico Antunes e a Secretária da Saúde, Arita Bergmann.
Entre os beneficiados estava a 10ª Coordenadoria de Saúde, representada por Haracelli Fontoura.
Saúde
Aumento da depressão em idosos preocupa no Brasil
Dados do IBGE revelam que 13,2% dos idosos entre 60 e 64 anos sofrem de depressão, superando a média nacional. Solidão e perdas agravam depressão entre idosos
A incidência de depressão entre idosos no Brasil tem apresentado um aumento preocupante, com 13,2% das pessoas entre 60 e 64 anos diagnosticadas com a condição, superando a média nacional de 10,2% para indivíduos acima dos 18 anos, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Este aumento é ainda mais acentuado entre aqueles com 75 anos ou mais, registrando um crescimento de 48% entre 2013 e 2019. A história de Ciro Martins, 71 anos, reflete essa realidade. Após perder sua esposa em 2023, Ciro enfrentou uma profunda solidão que o levou à depressão.
A intervenção de um ex-colega de trabalho o encorajou a buscar ajuda profissional, resultando em um diagnóstico de depressão e um tratamento eficaz que revitalizou seu interesse pelas atividades diárias e pela socialização.
Especialistas apontam que a depressão em idosos é causada por uma combinação de fatores biológicos, como alterações nos níveis de neurotransmissores e o uso de medicamentos que podem agravar os sintomas, e sociais, principalmente o isolamento social e a solidão.
Alfredo Cataldo Neto, professor da Escola de Medicina da Pucrs, destaca a importância de uma abordagem diferenciada no tratamento da depressão em idosos, observando que os sintomas muitas vezes se manifestam de maneira distinta, com queixas físicas frequentemente substituindo expressões diretas de sofrimento emocional.
A solidão, agravada pela perda de cônjuges e mudanças familiares, é um dos principais desafios enfrentados pelos idosos. A taxa de suicídio entre essa faixa etária tem crescido no Brasil, evidenciando a gravidade da situação.
No Rio Grande do Sul, a expectativa de que 40% da população terá mais de 60 anos até 2070 ressalta a urgência de implementar políticas públicas voltadas para a saúde mental dos idosos.
Com informações do JC
Saúde
O perigo que vem da China. Infectologistas recomendam precaução contra Metapneumovírus
Sem vacina para HMPV, medidas como uso de máscaras e higiene são essenciais, dizem especialistas
Um surto de Metapneumovírus Humano (HMPV) foi identificado na China, levantando preocupações devido ao aumento de casos em algumas regiões do país.
Este vírus, responsável por sintomas como febre, tosse e congestão nasal, foi reportado nesta 3ª feira (08 de jan. de 2025). Apesar das preocupações, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas em infectologia descartam a possibilidade de uma nova pandemia no momento.
A OMS comunicou que mantém contato constante com as autoridades chinesas, que têm tranquilizado tanto a população quanto a comunidade internacional.
As informações indicam que a intensidade e a escala da doença são inferiores às de anos anteriores. O governo de Pequim adotou um novo protocolo de monitoramento para gerenciar a situação.
Segundo a infectologista Emy Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein, a circulação do HMPV é comum, especialmente durante o inverno no hemisfério norte. Ela destacou a ausência de vacinas contra o HMPV e recomendou medidas preventivas como distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos.
“Não existe um antiviral específico, e o tratamento para o paciente em casa consiste em medicamentos sintomáticos, repouso e hidratação,” afirmou Gouveia.
O HMPV foi identificado pela primeira vez em 2001 na Holanda, embora já circulasse antes dessa data. No Brasil, o vírus foi detectado em crianças menores de três anos em Sergipe, em 2004.
Gouveia observou que as mutações do HMPV são mais estáveis e raras em comparação com a Covid-19, o que facilita a gestão da doença.
A transmissão do HMPV ocorre por vias aéreas e contato com secreções contaminadas. O período de incubação varia de cinco a nove dias. Estudos indicam que a maioria das crianças até cinco anos já teve contato com o vírus.
Gouveia também alertou sobre o risco do HMPV em agravar doenças pulmonares pré-existentes, especialmente em crianças, devido à inflamação prolongada e hiperprodução de secreção.
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