Paulo de Tarso
A intervenção de Alexandre de Moraes no IOF: um recado duro ao Planalto e ao Congresso
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão contundente ao suspender atos do Executivo e Legislativo relacionados ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Essa medida, detalhada em um artigo da Revista Oeste, é vista como um “duro recado” do magistrado aos outros Poderes, marcando um momento de tensão nas relações institucionais brasileiras.
A decisão de Moraes não se limitou à suspensão dos atos. O ministro também convocou o Planalto e o Congresso Nacional para uma audiência de conciliação, buscando uma solução negociada para o impasse. Essa iniciativa reflete uma tentativa de mediar o conflito e, ao mesmo tempo, rebater as crescentes críticas de ativismo judicial dirigidas ao STF.
A Corte tem sido frequentemente questionada por suas intervenções em matérias que, para alguns, seriam de competência exclusiva do Executivo ou Legislativo.
Nos bastidores da Suprema Corte, a decisão de Moraes e a subsequente convocação para a conciliação já eram antecipadas por outros ministros. A estratégia por trás dessa abordagem seria evitar um maior desgaste à imagem do STF, buscando um desfecho que minimize confrontos diretos e preserve a harmonia entre os Poderes. A conciliação surge, assim, como uma alternativa para desarmar a tensão e buscar um caminho de diálogo.
A movimentação de Alexandre de Moraes em relação ao IOF evidencia a complexidade das relações entre os Poderes no Brasil e a crescente importância das decisões judiciais em pautas econômicas e políticas.
O desdobramento dessa audiência de conciliação será crucial para definir os próximos passos em relação ao imposto e, mais amplamente, para o futuro do equilíbrio entre as instituições no país.
Paulo de Tarso
Nem tudo é notícia.
Há uma regra elementar nas redações profissionais: suicídio não é espetáculo.
Não é assunto para manchetes apelativas, exposição de circunstâncias, exploração da identidade da vítima ou corrida por cliques. Não porque o jornalismo deva esconder a realidade, mas porque há situações em que a maneira de informar também pode produzir consequências.
Alegrete vive dias dolorosos.
Ontem, um estudante de uma escola estadual morreu por suicídio. A notícia rapidamente ganhou espaço em portais e redes sociais da cidade. O EQ fez outra escolha: não transformou uma tragédia humana em conteúdo para disputar audiência.
Hoje, a comunidade foi atingida por uma segunda morte, envolvendo uma adolescente da mesma escola.
É preciso estabelecer aqui uma diferença fundamental: não há elementos que permitam afirmar que a divulgação do primeiro caso tenha provocado o segundo. Fazer essa associação como fato seria tão irresponsável quanto ignorar aquilo que décadas de estudos e protocolos profissionais já ensinaram às redações: a cobertura inadequada de suicídios pode favorecer comportamentos de imitação entre pessoas vulneráveis.
É exatamente por isso que existem recomendações específicas para o tratamento jornalístico desses episódios.
Não se trata de censura. Trata-se de responsabilidade.
O jornalismo pode — e deve — falar sobre suicídio. Deve discutir saúde mental, prevenção, sofrimento, redes de apoio, políticas públicas e caminhos para buscar ajuda. O que não deve fazer é transformar a morte em narrativa espetacular, explorar e/ou converter o sofrimento de uma família em mercadoria para alimentar algoritmos.
O EQ não pretende ocupar o lugar de paladino das boas práticas jornalísticas. Também erramos e estamos permanentemente sujeitos à revisão de nossas escolhas.
Mas existe um limite que uma redação profissional precisa reconhecer.
Antes do clique existe uma pessoa. Antes da audiência existe uma família. E antes da notícia existe a vida.
Quando plataformas, páginas ou veículos abandonam esses princípios para competir por alcance nas redes sociais, a discussão deixa de ser apenas sobre gosto editorial. Passa a ser sobre responsabilidade.
Informar exige técnica. Exige critério. E, sobretudo, exige ética.
Nem tudo o que desperta curiosidade pública precisa ser explorado da mesma maneira. Nem tudo o que gera audiência merece uma manchete.
Há momentos em que o jornalismo demonstra sua qualidade não apenas pelo que publica.
Mas também pelo que decide não transformar em espetáculo.
Paulo de Tarso
Chimarrão, lareira e outras coisitas a mais: as armas do gaúcho contra o frio intenso
Quando o inverno mostra sua força e a geada pinta os campos de branco, o gaúcho já sabe o caminho. A chaleira vai ao fogo, a cuia passa de mão em mão e a lareira transforma a casa em abrigo.
O chimarrão aquece o corpo e aproxima as pessoas. A lenha estalando no fogo embala conversas, histórias e silêncios que só o inverno sabe explicar.
O poncho sai do armário, a boina volta à cabeça, o pala enfrenta o minuano e a comida ganha sabor de aconchego: carreteiro, feijão, sopa de capeletti, pinhão e um bom churrasco desafiam as baixas temperaturas.
No Rio Grande, o frio nunca foi apenas um fenômeno da natureza. É um convite para reforçar as tradições, reunir a família e lembrar que a verdadeira força do gaúcho está na capacidade de transformar o rigor do inverno em calor humano.
Porque, por aqui, o inverno pode até congelar a paisagem. Mas jamais esfria a alma de quem nasceu para enfrentar o minuano.
Paulo de Tarso
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