Paulo de Tarso
Índice que mede a inflação tem a menor taxa desde 1980
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do País, ficou em -0,68% em julho. Essa foi a menor taxa registrada desde o início da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em janeiro de 1980.
Em junho, o índice variou 0,67%. Apesar da queda, no ano o IPCA acumula alta de 4,77% e, nos últimos 12 meses, de 10,07%, abaixo dos 11,89% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2021, a inflação havia chegado a 0,96%.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, dois apresentaram deflação em julho, enquanto os outros sete tiveram alta de preços. O resultado do mês foi influenciado principalmente pelo grupo transportes, que teve a queda mais intensa (-4,51%) e contribuiu com o maior impacto negativo (-1 ponto percentual) no índice. A baixa no grupo se deve principalmente à redução nos preços dos combustíveis (-14,15%). O valor da gasolina caiu 15,48%, e o do etanol recuou 11,38%.
Além disso, houve recuo nos preços do grupo habitação (-1,05%), com impacto de -0,16 ponto percentual. A maior variação positiva, por sua vez, veio de alimentação e bebidas (1,30%), que acelerou em relação a junho (0,80%), contribuindo com 0,28 ponto percentual.
Vestuário (0,58%) e saúde e cuidados pessoais (0,49%) seguiram movimento inverso, desacelerando em relação ao mês anterior, quando registraram 1,67% e 1,24%, respectivamente.
Os demais grupos ficaram entre os índices de 0,06%, de educação, e de 1,13%, de despesas pessoais.
Paulo de Tarso
Nem tudo é notícia.
Há uma regra elementar nas redações profissionais: suicídio não é espetáculo.
Não é assunto para manchetes apelativas, exposição de circunstâncias, exploração da identidade da vítima ou corrida por cliques. Não porque o jornalismo deva esconder a realidade, mas porque há situações em que a maneira de informar também pode produzir consequências.
Alegrete vive dias dolorosos.
Ontem, um estudante de uma escola estadual morreu por suicídio. A notícia rapidamente ganhou espaço em portais e redes sociais da cidade. O EQ fez outra escolha: não transformou uma tragédia humana em conteúdo para disputar audiência.
Hoje, a comunidade foi atingida por uma segunda morte, envolvendo uma adolescente da mesma escola.
É preciso estabelecer aqui uma diferença fundamental: não há elementos que permitam afirmar que a divulgação do primeiro caso tenha provocado o segundo. Fazer essa associação como fato seria tão irresponsável quanto ignorar aquilo que décadas de estudos e protocolos profissionais já ensinaram às redações: a cobertura inadequada de suicídios pode favorecer comportamentos de imitação entre pessoas vulneráveis.
É exatamente por isso que existem recomendações específicas para o tratamento jornalístico desses episódios.
Não se trata de censura. Trata-se de responsabilidade.
O jornalismo pode — e deve — falar sobre suicídio. Deve discutir saúde mental, prevenção, sofrimento, redes de apoio, políticas públicas e caminhos para buscar ajuda. O que não deve fazer é transformar a morte em narrativa espetacular, explorar e/ou converter o sofrimento de uma família em mercadoria para alimentar algoritmos.
O EQ não pretende ocupar o lugar de paladino das boas práticas jornalísticas. Também erramos e estamos permanentemente sujeitos à revisão de nossas escolhas.
Mas existe um limite que uma redação profissional precisa reconhecer.
Antes do clique existe uma pessoa. Antes da audiência existe uma família. E antes da notícia existe a vida.
Quando plataformas, páginas ou veículos abandonam esses princípios para competir por alcance nas redes sociais, a discussão deixa de ser apenas sobre gosto editorial. Passa a ser sobre responsabilidade.
Informar exige técnica. Exige critério. E, sobretudo, exige ética.
Nem tudo o que desperta curiosidade pública precisa ser explorado da mesma maneira. Nem tudo o que gera audiência merece uma manchete.
Há momentos em que o jornalismo demonstra sua qualidade não apenas pelo que publica.
Mas também pelo que decide não transformar em espetáculo.
Paulo de Tarso
Chimarrão, lareira e outras coisitas a mais: as armas do gaúcho contra o frio intenso
Quando o inverno mostra sua força e a geada pinta os campos de branco, o gaúcho já sabe o caminho. A chaleira vai ao fogo, a cuia passa de mão em mão e a lareira transforma a casa em abrigo.
O chimarrão aquece o corpo e aproxima as pessoas. A lenha estalando no fogo embala conversas, histórias e silêncios que só o inverno sabe explicar.
O poncho sai do armário, a boina volta à cabeça, o pala enfrenta o minuano e a comida ganha sabor de aconchego: carreteiro, feijão, sopa de capeletti, pinhão e um bom churrasco desafiam as baixas temperaturas.
No Rio Grande, o frio nunca foi apenas um fenômeno da natureza. É um convite para reforçar as tradições, reunir a família e lembrar que a verdadeira força do gaúcho está na capacidade de transformar o rigor do inverno em calor humano.
Porque, por aqui, o inverno pode até congelar a paisagem. Mas jamais esfria a alma de quem nasceu para enfrentar o minuano.
Paulo de Tarso
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