Paulo de Tarso
Márcio fala, mas não esclarece a saída de Angela Viero
A live do Prefeito Márcio Amaral para anunciar a saída da Secretária Angela Viero ex-titular da Secretaria de Educação, encerrada por volta das 12h45 foi um solene tiro no pé.
Previsível com elogios ôcos, picotada com duas quedas, só faltou dizer que ela está fora por excesso de competência.
Citou que a Secretaria tem orçamento de R$ 70 milhões, com cerca de 50% do funcionalismo, que cerca de 500 lap tops foram distribuídos depois da pandemia, compraram móveis para às cozinhas das escolas, entregaram duas quadras esportivas, enfim, de objetos para às escolas e pouco sobre educação e estilo de gestão.
Sobre educação voltou a enaltecer o projeto comprado junto ao Sebrae, de baixa adesão, mas passou longe sobre o desgaste da Secretária no relacionamento institucional, na esfera política, junto ao conjunto de diretores das escolas e por não conseguir viabilizar à pleno várias tarefas pontuais nas quais ela fracassou e que geraram desgastes para à administração municipal.
Angela sai na véspera do principal evento da pasta que inicia hoje, o Seminário de Educação, talvez, por excesso de competência. Assume interinamente na pasta Rui Alexandre, que e coatch e Secretário de Governo.
Em sua fala citou o filósofo dos coahs o Cortela e se auto-elogiou um pouco.
Márcio, mais uma vez, evita tratar de maçã e fala em pera assim, por ele, a opinião pública não merece saber os motivos da queda de Angela Viero apesat dela em recado nas redes sociais terceirizar ao Prefeito o esclarecimento dos fatos.
Paulo de Tarso
Nem tudo é notícia.
Há uma regra elementar nas redações profissionais: suicídio não é espetáculo.
Não é assunto para manchetes apelativas, exposição de circunstâncias, exploração da identidade da vítima ou corrida por cliques. Não porque o jornalismo deva esconder a realidade, mas porque há situações em que a maneira de informar também pode produzir consequências.
Alegrete vive dias dolorosos.
Ontem, um estudante de uma escola estadual morreu por suicídio. A notícia rapidamente ganhou espaço em portais e redes sociais da cidade. O EQ fez outra escolha: não transformou uma tragédia humana em conteúdo para disputar audiência.
Hoje, a comunidade foi atingida por uma segunda morte, envolvendo uma adolescente da mesma escola.
É preciso estabelecer aqui uma diferença fundamental: não há elementos que permitam afirmar que a divulgação do primeiro caso tenha provocado o segundo. Fazer essa associação como fato seria tão irresponsável quanto ignorar aquilo que décadas de estudos e protocolos profissionais já ensinaram às redações: a cobertura inadequada de suicídios pode favorecer comportamentos de imitação entre pessoas vulneráveis.
É exatamente por isso que existem recomendações específicas para o tratamento jornalístico desses episódios.
Não se trata de censura. Trata-se de responsabilidade.
O jornalismo pode — e deve — falar sobre suicídio. Deve discutir saúde mental, prevenção, sofrimento, redes de apoio, políticas públicas e caminhos para buscar ajuda. O que não deve fazer é transformar a morte em narrativa espetacular, explorar e/ou converter o sofrimento de uma família em mercadoria para alimentar algoritmos.
O EQ não pretende ocupar o lugar de paladino das boas práticas jornalísticas. Também erramos e estamos permanentemente sujeitos à revisão de nossas escolhas.
Mas existe um limite que uma redação profissional precisa reconhecer.
Antes do clique existe uma pessoa. Antes da audiência existe uma família. E antes da notícia existe a vida.
Quando plataformas, páginas ou veículos abandonam esses princípios para competir por alcance nas redes sociais, a discussão deixa de ser apenas sobre gosto editorial. Passa a ser sobre responsabilidade.
Informar exige técnica. Exige critério. E, sobretudo, exige ética.
Nem tudo o que desperta curiosidade pública precisa ser explorado da mesma maneira. Nem tudo o que gera audiência merece uma manchete.
Há momentos em que o jornalismo demonstra sua qualidade não apenas pelo que publica.
Mas também pelo que decide não transformar em espetáculo.
Paulo de Tarso
Chimarrão, lareira e outras coisitas a mais: as armas do gaúcho contra o frio intenso
Quando o inverno mostra sua força e a geada pinta os campos de branco, o gaúcho já sabe o caminho. A chaleira vai ao fogo, a cuia passa de mão em mão e a lareira transforma a casa em abrigo.
O chimarrão aquece o corpo e aproxima as pessoas. A lenha estalando no fogo embala conversas, histórias e silêncios que só o inverno sabe explicar.
O poncho sai do armário, a boina volta à cabeça, o pala enfrenta o minuano e a comida ganha sabor de aconchego: carreteiro, feijão, sopa de capeletti, pinhão e um bom churrasco desafiam as baixas temperaturas.
No Rio Grande, o frio nunca foi apenas um fenômeno da natureza. É um convite para reforçar as tradições, reunir a família e lembrar que a verdadeira força do gaúcho está na capacidade de transformar o rigor do inverno em calor humano.
Porque, por aqui, o inverno pode até congelar a paisagem. Mas jamais esfria a alma de quem nasceu para enfrentar o minuano.
Paulo de Tarso
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