Contato

Agro Notícia

Crédito rural em 2022: qual caminho tomar?


Entra ano, sai ano e o crédito rural permanece no radar dos produtores. Como seria diferente? A tomada de empréstimos surge como necessidade em diferentes momentos da vida do produtor rural, seja na aquisição de máquinas e equipamentos, expansão dos negócios ou promoção de melhorias na propriedade.

Mas não é por ser um velho conhecido que o crédito rural não mereça atenção – muito pelo contrário. Especialmente neste início de 2022, após o Banco Central ter elevado pela oitava vez consecutiva a taxa básica de juros da economia, a Selic. Após reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 5 de fevereiro, a alíquota chegou a 10,75% ao ano. Como reflexo, todos as taxas de juros no País devem aumentar, inclusive no crédito rural. “O cenário em relação ao acesso ao crédito rural é complexo. Estamos com taxa básica de juro em elevação, e mesmo o crédito rural oficial, que tem taxas controladas e subvencionadas pelo governo, deve ficar mais caro”, alerta Cláudio Brisolara, Gerente do Departamento Econômico da FAESP.

A oferta de crédito de algumas linhas, sobretudo as oficiais, deve aumentar a partir de julho, quando o Plano Safra 2022/23 entrar em vigor. Neste cenário, qual caminho o produtor rural pode tomar? Veja as orientações de Brisolara sobre o tema.

Entenda as necessidades 

“Conheça-te a ti mesmo”, já dizia o antigo aforismo grego. A regra milenar também vale neste caso. “É importante que o produtor avalie se ele realmente precisa fazer esse movimento. O crédito é imprescindível?”, questiona Brisolara. Em um cenário de taxas de juros altas, se o tomador tiver alguma frustração de safra corre-se o risco de entrar em uma espiral de endividamento.

Antes de ir a uma instituição financeira, é preciso colocar na ponta do lápis as reais necessidades de financiamento. Para o que o dinheiro seria usado? Em quanto tempo as melhorias proporcionadas pela injeção de capital seriam visíveis? Qual taxa de juros máxima cabe no fluxo de caixa do produtor? Essas perguntas devem ser respondidas com clareza e honestidade, orienta Brisolara. “O produtor deve ter muita parcimônia na hora de contratar crédito, e só demandar se realmente for necessário e na quantidade mínima requerida, para evitar riscos ao negócio”, aconselha.

Atenção aos juros  

O Plano Safra 2021/22 termina no último dia de junho. A partir de julho, as ofertas de crédito deverão mudar, trazendo consigo custos de financiamento maiores. Neste cenário, é interessante buscar, prioritariamente, as linhas de crédito oficiais. “As linhas de crédito para investimento subvencionadas pelo governo federal têm prazos mais longos e taxas menores. Isso varia dependendo da linha, mas em média elas têm três anos de carência e 10 de prazo. São linhas adequadas, mas a taxa de juros frente ao retorno do empreendimento é que é fator determinante da viabilidade da tomada de crédito”, afirma.

As opções variam de acordo com o objetivo do financiamento. Entre elas, estão o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que estimula técnicas que contribuam para a redução da emissão de carbono, as linhas Inovagro, Moderagro, ModerFrota e PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns), todos do BNDES. Já os pequenos produtores podem ser atendidos pelo Pronaf, e os médios pelo Pronamp. “Orientamos os produtores, caso precisem de crédito, que procurem o crédito rural oficial. O Banco do Brasil é o principal agente do segmento, mas outros bancos têm essa disponibilidade”, observa Brisolara.

Mitigando riscos 

O crédito com recursos oficiais tem outra vantagem: com ele, a renegociação de dívidas é facilitada, em caso de frustração de safra. “Os financiamentos mantidos ao abrigo do crédito rural oficial têm amparo no Manual de Crédito Rural (MCR), que disciplina a forma como deve ser feita essa prorrogação do contrato”, diz. Segundo o regulamento, o produtor tem um protocolo a seguir, incluindo a comunicação do sinistro, a disponibilização da propriedade a uma vistoria que constate o prejuízo na atividade, laudo de vistoria de um engenheiro agrônomo e uma planilha que demonstre a incapacidade de pagamento do financiamento. “Com isso, ele tem amparo no MCR para conseguir o alongamento do contrato”, ensina o Gerente do Departamento Econômico da FAESP.

Brisolara destaca que é importante estar pronto para imprevistos. “Se o produtor contratar crédito, ou mesmo que não contrate, é necessário pensar na gestão de risco do negócio”, observa. Nesse sentido, o seguro rural é um grande aliado, pois garante a produção e o capital empregado. “Caso haja perda de produção, redução de faturamento e capacidade de honrar os compromissos, o produtor pode receber a indenização da seguradora. Existem ferramentas para levar os riscos em consideração na hora de administrar o negócio e estimulamos os produtores a adotarem esses conceitos para garantir a sustentabilidade do empreendimento”, completa Brisolara.

Outras informações acesse o Portal FAESP/SENAR-SP

Fonte: CNA Brasil

Publicidade
Comentários

Agro Notícia

Sisb. Entre falsas promessas e atrasos, apenas duas agroindústrias são reabilitadas

Alegrete paga pela negligência oficial

A narrativa oficial divulgada pela Prefeitura de Alegrete tenta vender como “conquista” aquilo que, na realidade, é apenas a correção de uma falha grave de gestão.

Desde novembro de 2025, nove agroindústrias do município foram desabilitadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) justamente porque o Executivo municipal não cumpriu os trâmites legais exigidos para manter a certificação do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI).

Durante estes meses, produtores locais ficaram à mercê de informações desencontradas e até falsas, enquanto a economia rural sofria com a paralisação de atividades que dependem diretamente do selo de inspeção para comercializar em escala nacional.

O prejuízo não foi apenas financeiro: a credibilidade do setor agroindustrial de Alegrete foi colocada em xeque, afetando trabalhadores, consumidores e a imagem do município.

Somente agora, após a Prefeitura finalmente se enquadrar nas normas legais, o MAPA autorizou a reabilitação de duas agroindústrias — o Matadouro São Jorge e a Agroindústria Super Ícaro. É importante destacar que essa decisão não representa uma vitória política, mas sim um reparo tardio a um problema criado pela própria administração municipal.

O discurso triunfalista da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, ao anunciar a retomada da certificação, ignora o fato de que a desabilitação inicial foi consequência direta da negligência administrativa.

O que se apresenta como “nova fase” deveria ser encarado como um alerta: sem responsabilidade e transparência, o setor produtivo continuará vulnerável a decisões equivocadas e à falta de rigor no cumprimento das exigências legais.

Em resumo, a reabilitação de apenas duas agroindústrias não apaga os meses de prejuízo e insegurança enfrentados pelo setor. Alegrete precisa menos de discursos comemorativos e mais de gestão eficiente, capaz de garantir estabilidade e confiança para quem produz e para quem consome.

 

Continue lendo

Agro Notícia

Produtores de Alegrete enfrentam prejuízos crescentes com ataques de javalis

A presença descontrolada de javalis tem se tornado uma ameaça constante à produção agropecuária em Alegrete, na região da Campanha Gaúcha. Além de devastarem lavouras, os animais silvestres agora avançam sobre criações de ovelhas e outros animais de pequeno porte, gerando prejuízos incalculáveis aos produtores locais.

João Pacheco, produtor com propriedades nas localidades de Pai Passo e Rincão de São Miguel, relata que os ataques são frequentes e devastadores. “Deixei de criar cordeiros no Pai Passo porque não ficava nenhum vivo. É lamentável e acarreta prejuízos a quem produz e trabalha”, afirma. Segundo ele, nem mesmo os pequenos produtores são poupados, e as perdas nas lavouras são difíceis de mensurar.

Apesar de possuir licença do Exército e do Ibama para realizar a caça controlada dos javalis, Pacheco denuncia a burocracia e os altos custos envolvidos na aquisição de armas e munições. Enquanto isso, os animais continuam se proliferando e atacando rebanhos e plantações. “Eles comem cordeiros, terneiros, destroem lavouras e ninguém faz nada para conter essa procriação”, lamenta.

Uma das estratégias adotadas por produtores da região tem sido a instalação de gaiolas para captura dos javalis. No entanto, a eficácia das armadilhas é limitada. “Às vezes demora meses para que algum seja atraído e preso”, explica Pacheco.

Além dos prejuízos econômicos, há também impactos ambientais. Os javalis têm atacado ninhos de aves que se reproduzem no chão, como o quero-quero e corujas, colocando em risco a biodiversidade local. “Isso poderá acarretar inclusive a extinção de aves e pequenos animais silvestres”, alerta o produtor.

Pacheco também critica a falta de compreensão por parte da sociedade sobre o trabalho dos agricultores. “Muitos acham que destruímos, mas estamos preservando cada vez mais. Seguimos as leis e precisamos das terras”, defende.

A situação em Alegrete evidencia a urgência de políticas públicas mais eficazes para o controle da população de javalis e o apoio aos produtores que enfrentam essa ameaça diariamente.

Continue lendo

Agro Notícia

O sábado de calor atrai grande público no primeiro dia da Expointer

O termômetro já batia os 35 graus em torno das 15h deste sábado (30/8), na área central do Parque Estadual de Exposições Assis Brasil.

No local, havia movimento frenético do público que se dividia entre uma grande variedade de atrações da Expointer, como artesanato, programação de shows, degustação, maquinário agrícola, Freio de Ouro, exposições e julgamento de animais, banho de leite, Pavilhão da Agricultura Familar, gastronomia, Pavilhão dos Pequenos Animais, parque de diversões, palestras e oficinas.

Natural de Esteio, Juliano Fetter, proprietário de academia, veio com a família – cunhado, irmão, esposa, avó e a pequena Luísa, agarrada no colo do pai. “Ela veio logo pra ver os animais. Era uma coisa que a gente fazia muito quando eu era criança, com a minha família. E agora eu aproveitei esse final de semana”, afirmou Juliano. “Num lugar onde a gente se criou quando era mais novo. Vínhamos todos os anos pra cá. É bom poder lembrar um pouco também disso”, contou.
Prestigiando a produção e a pujança do RS na feira

Um pouco mais adiante, no Pavilhão Internacional, a Feira de Azeites mostrava produtores de diferentes regiões do Estado.

O casal Paulo Corrêa Rodrigues, contador, e Iris Amaral Rodrigues, aposentada, foi atraído, em especial, pelo azeite de noz-pecã. “Na verdade, eu sou natural de Cachoeira do Sul e por lá se fala muito em noz-pecã”, contou Paulo. “Na feira, eu gosto de ver os animais bonitos”, disse Iris.

“Em primeiro lugar, minha origem vem no campo. Em segundo, isso aqui é uma demonstração da produção e da pujança do Brasil e, principalmente, do nosso Estado, né? Acho que toda pessoa que sai do campo tem esse sonho de que, mesmo se não tiver alguma coisa, que possa olhar e conhecer. Tem que prestigiar isso”, finalizou Paulo.

Expointer 2025

A 48ª Expointer segue até 7 de setembro no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, reunindo mais de 800 eventos e atrações ligadas ao agronegócio. A previsão do tempo para domingo (31/8) é de um dia parcialmente nublado, com temperaturas próximas dos 30 graus.

Texto: Rodrigo Martins/Ascom Espointer
Edição: Camila Cargnelutti/Ascom Expointer

Continue lendo

Popular