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Paulo de Tarso

Quando vida ou morte depende da sorte, é porque estamos mal

A morte de um bebê de três meses, depois da mãe peregrinar com dois atendimentos na UPA, chocou os alegretenses.

Ela procurou o atendimento, mas ao que tudo indica, não foi o mais indicado.

O outro filho dela, de três anos, teve mais sorte. Foi atendido na mesma data, uma só vez. A médica pediu raio x, medicou, deixou em observação ministrou uma receita correta e ele está em recuperação.
O que faleceu, não recebeu este tipo de procedimento. Foi mais no olhômetro e não resistiu.

No final da tarde desta quarta-feira, de posse do documento de necropsia, a mãe foi novamente na DPPA e registrou outro B.O, desta vez por negligência médica.

O bebê faleceu por sépsis pulmonar. Uma pneumonia lateral, com extensão para o sangue. Um quadro grave que em horas evoluiu para agudo e culminou com o óbito.
A reportagem completa está nesta edição.

Mas o que fica evidenciado neste caso, é que o fim dos plantões pediátricos, que havia na Santa Casa e foram deletados na UPA, fazem muita falta e estão na raíz desta morte.

Se dois irmãos vão em busca de socorro e um depende de sorte pra ter um bom atendimento e outro é vítima de procedimentos questionáveis, temos aí algo grave e sério de uma gestão de alto risco para à população.

Não é um fato isolado, porque há menos de um mês um menor foi mutilado em Santa Maria, depois de uma sucessão de erros aqui em Alegrete.

Tem um giro fora do eixo no setor da saúde, onde faltam vários especialistas na rede básica e, consequentemente, baixa resolutividade nos postinhos.

A lista de queixas tem fila longa. Se o Prefeito eleito, Jesse Trindade, não botar o pé na porta e não acabar com o compadrio e à “cecesama” da Secretaria da Saúde, já na arrancada de seu governo, terá que rezar pra não ser cúmplice destas barbeiragens que custam vidas e sequelam o futuro de famílias inteiras.
A volta do plantão pediátrico é um destes casos.

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Paulo de Tarso

Nem tudo é notícia.

Há uma regra elementar nas redações profissionais: suicídio não é espetáculo.

Não é assunto para manchetes apelativas, exposição de circunstâncias, exploração da identidade da vítima ou corrida por cliques. Não porque o jornalismo deva esconder a realidade, mas porque há situações em que a maneira de informar também pode produzir consequências.

Alegrete vive dias dolorosos.

Ontem, um estudante de uma escola estadual morreu por suicídio. A notícia rapidamente ganhou espaço em portais e redes sociais da cidade. O EQ fez outra escolha: não transformou uma tragédia humana em conteúdo para disputar audiência.

Hoje, a comunidade foi atingida por uma segunda morte, envolvendo uma adolescente da mesma escola.

É preciso estabelecer aqui uma diferença fundamental: não há elementos que permitam afirmar que a divulgação do primeiro caso tenha provocado o segundo. Fazer essa associação como fato seria tão irresponsável quanto ignorar aquilo que décadas de estudos e protocolos profissionais já ensinaram às redações: a cobertura inadequada de suicídios pode favorecer comportamentos de imitação entre pessoas vulneráveis.

É exatamente por isso que existem recomendações específicas para o tratamento jornalístico desses episódios.

Não se trata de censura. Trata-se de responsabilidade.

O jornalismo pode — e deve — falar sobre suicídio. Deve discutir saúde mental, prevenção, sofrimento, redes de apoio, políticas públicas e caminhos para buscar ajuda. O que não deve fazer é transformar a morte em narrativa espetacular, explorar e/ou converter o sofrimento de uma família em mercadoria para alimentar algoritmos.

O EQ não pretende ocupar o lugar de paladino das boas práticas jornalísticas. Também erramos e estamos permanentemente sujeitos à revisão de nossas escolhas.

Mas existe um limite que uma redação profissional precisa reconhecer.

Antes do clique existe uma pessoa. Antes da audiência existe uma família. E antes da notícia existe a vida.

Quando plataformas, páginas ou veículos abandonam esses princípios para competir por alcance nas redes sociais, a discussão deixa de ser apenas sobre gosto editorial. Passa a ser sobre responsabilidade.

Informar exige técnica. Exige critério. E, sobretudo, exige ética.

Nem tudo o que desperta curiosidade pública precisa ser explorado da mesma maneira. Nem tudo o que gera audiência merece uma manchete.

Há momentos em que o jornalismo demonstra sua qualidade não apenas pelo que publica.

Mas também pelo que decide não transformar em espetáculo.

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Paulo de Tarso

Chimarrão, lareira e outras coisitas a mais: as armas do gaúcho contra o frio intenso

Quando o inverno mostra sua força e a geada pinta os campos de branco, o gaúcho já sabe o caminho. A chaleira vai ao fogo, a cuia passa de mão em mão e a lareira transforma a casa em abrigo.

O chimarrão aquece o corpo e aproxima as pessoas. A lenha estalando no fogo embala conversas, histórias e silêncios que só o inverno sabe explicar.

O poncho sai do armário, a boina volta à cabeça, o pala enfrenta o minuano e a comida ganha sabor de aconchego: carreteiro, feijão, sopa de capeletti, pinhão e um bom churrasco desafiam as baixas temperaturas.

No Rio Grande, o frio nunca foi apenas um fenômeno da natureza. É um convite para reforçar as tradições, reunir a família e lembrar que a verdadeira força do gaúcho está na capacidade de transformar o rigor do inverno em calor humano.

Porque, por aqui, o inverno pode até congelar a paisagem. Mas jamais esfria a alma de quem nasceu para enfrentar o minuano.

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Paulo de Tarso

PRF prende contrabandista com veículo carregado de agrotóxicos ilegais em Rosário do Sul

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