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Mulheres relatam casos de discriminação e assédio no trabalho


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Pexels/Yan Krukov

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O que era para ser apenas uma  entrevista de emprego virou um trauma. A estudante de jornalismo Letícia Pinho, de 23 anos, tentava uma vaga de estágio em uma empresa de Bauru, no interior de São Paulo. Ela vinha se preparando para isso desde o início da pandemia, em meados de março de 2020, quando passou a aproveitar o tempo livre para fazer alguns cursos e se capacitar ainda mais para o mercado de trabalho.

“As duas entrevistadoras estavam sendo uns amores comigo, perguntando sobre os meus estudos, enfim. A coisa mudou totalmente quando comentei que tinha um filho pequeno. Ele tinha um ano e meio na época. Falei que aquela vaga de estágio me ajudaria bastante em casa por conta disso. De repente, o único assunto da entrevista passou a ser o fato de eu ter um filho”, conta Letícia à reportagem.

“Elas começaram a fazer perguntas bem indiscretas, do tipo quanto eu pagava de aluguel, de luz e de internet, se eu conseguiria me concentrar no trabalho caso meu filho ficasse doente e com quem a criança ficaria caso eu e meu namorado arrumássemos um emprego”.

O caso aconteceu em setembro de 2020. “Me senti um lixo, totalmente humilhada. Sai de lá quase chorando”, afirma a estudante. “Foi péssimo, ainda mais vindo de duas mulheres. No dia, eu até falei para o meu namorado que não iria fazer mais nenhuma entrevista, mas no dia seguinte, eu tive outra. Fui sem esperança nenhuma e acabei conseguindo a vaga”.

A experiência de Letícia Pinho apenas reforça o que revelam os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No quarto trimestre de 2021, a taxa de desemprego no país ficou em 11,1%, o que representa cerca de 12 milhões de trabalhadores. Desses, 54,5% são mulheres, e 45,5% são homens.

“A gente precisa pensar que a mulher trabalhar fora de casa tem sido uma conquista das mulheres nos últimos dois séculos e meio. O patriarcado e a construção social dos papéis de gênero definiram que as mulheres tinham que ficar  no campo privado, cuidando da casa e dos filhos, para que os homens pudessem dominar o campo público e, consequentemente, o mercado de trabalho”, aponta Nilma Renildes, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em violência contra a mulher.

Assédio sexual

Para manter as mulheres fora desses espaços, a sociedade machista utiliza diversos mecanismos, explica a educadora. Um deles é o assédio — que foi o que aconteceu com uma entrevistada que preferiu não se identificar. Ela trabalha em uma empresa de call center há oito meses e foi vítima do que seu colega de trabalho e agressor provavelmente chamaria de “brincadeira”.

“Uma vez, eu estava pegando álcool em gel próximo à mesa dele, e ele perguntou: ‘esse álcool em gel não parece p****?’. Depois que eu respondi, sem graça, que não sabia, ele chamou outro funcionário da empresa e falou ‘olha, Fulano: ela não sabe se parece p****. O menino também ficou totalmente constrangido”, declara a vítima.

“Por ele ser gay, na hora, achei que podia não ser nada demais. Mas ele ficava passando a mão no meu cabelo, fazendo carinho no meu ombro, passando a mão no meu braço e perguntando se eu já tinha ficado com outras mulheres”.

Para Nilma Renildes, é importante que as mulheres compreendam o que são o assédio e as suas diferentes formas. “A gente fala das brincadeiras, que são esse assédio expresso verbalmente, mas a gente também tem aquele que se manifesta nos olhares, nos toques, no padrão de beleza que se espera da mulher e até na manipulação — esse último chamado de gaslighting: ‘não foi bem isso que eu falei’, ‘você entendeu errado’, ‘você é maluca’”.

“Os homens têm um pacto quando vêem um deles oprimindo uma mulher. E às vezes, outra mulher, para não passar pelo mesmo, também acaba compactuando com o silêncio”.

A advogada trabalhista Waleska Miguel Batista diz que, mesmo sendo um problema estrutural, o assédio jamais pode ser aceito. “Primeiro, tem que ter, dentro das empresas, a possibilidade de a mulher denunciar — para um setor de recursos humanos ou de compliance antidiscriminatório — a pessoa de quem está vindo essa prática”, começa.

“Se a empresa não tomar nenhuma medida contra esses funcionários, ela está chancelando esses atos e tem que ser responsabilizada. O Código Civil determina que, em casos de danos ou lesões, cabe indenização. Também é previsto na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) que, se essa mulher está sofrendo assédio, e isso a está impossibilitando de continuar o trabalho, ela pode aplicar a rescisão indireta do contrato. É como se estivesse dando justa causa na empresa por não ter cumprido com o seu dever, que é garantir a segurança de seus trabalhadores”, completa.

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Uma nova fonte, que também preferiu manter o anonimato, contou uma situação diferente, mas ao mesmo tempo muito parecida com as outras. Jornalista, ela tentava uma vaga de emprego em uma agência quando ainda estava no último ano de faculdade. Na época, um ex-colega de trabalho havia lhe indicado para a entrevista, que seria com os dois sócios da empresa.

“Logo quando eu entrei na sala, eles estavam comentando sobre a aparência física da estagiária que havia acabado de sair pela porta. Isso foi em meados de 2014. Não me lembro exatamente do termo que usaram para descrevê-la, mas eles estavam praticamente a chamando de gostosa [sic]”, relata.

“Durante a minha entrevista, a conversa também sempre ia para um lado mais pessoal. Quando citei o veículo em que eu estagiava na época, eles chegaram a comentar: ‘nossa, lá existe uma fama de que todo mundo pega todo mundo. Quem você já pegou de lá?’.

Desigualdade salarial

“Pouco tempo depois, um amigo meu foi fazer uma entrevista no mesmo lugar e ofereceram para ele um salário R$ 1.000 mais alto do que o que ofereceram para mim. Me falaram que como eu ainda estava me formando/era recém-formada, o salário era x. Mas para a outra pessoa que tinha pouco mais tempo de formada do que eu e era homem, o salário era de R$ 1.000 a mais”, continua.

A Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada pelo IBGE em dezembro do ano passado, revela que essa diferença salarial entre gêneros continua não sendo um caso isolado. Em 2020, as mulheres recebiam 78,1% a menos do que os homens no Brasil — isso mesmo elas representando em 2019 uma parcela maior (19,4%) do que os homens (15,1%) da população de 25 anos ou mais com ensino superior completo, conforme revelou o instituto por meio das “Estatísticas de Gênero – Indicadores sociais das mulheres no Brasil”, também em 2021.

“Apesar de os dados reconhecerem essa disparidade salarial, ela é totalmente ilegal. A Constituição Federal prevê que homens e mulheres são iguais em todos os aspectos perante à legislação. A CLT também determina que, para funções, atividades e formações iguais e mesmos requisitos para ingresso no mercado de trabalho ou para ascensão profissional, o salário tem que ser igual para ambos”, pondera a advogada.

“Se constatada essa diferença, a mulher pode entrar com uma reclamação trabalhista para pedir a equiparação salarial. E caso ela não seja contratada, mas tenha sido constatado que a empresa pratica esse tipo de disparidade, deve denunciar ao Ministério Público do Trabalho para que haja uma investigação, já que a empresa não está seguindo a lei”.

No caso de mulheres negras, a situação é ainda mais delicada. Um levantamento publicado pelo Insper em 2020 mostrou que um homem branco ganhava, naquele ano, um salário médio 159% maior do que o de uma mulher negra. Waleska Batista, que também estuda questões raciais, argumenta que isso apenas representa o quanto as mulheres negras “são ainda mais vulneráveis” a essa violência estrutural.

“É o acúmulo de opressões. Essa mulher sofre duas discriminações: uma por ser mulher, e a outra por ser negra. Além de ser questionada se vai cuidar dos filhos, por exemplo, também lhe perguntam ‘mas você vai continuar com esse cabelo?’, porque a empresa, às vezes, não aceita cabelos crespos, black power, tranças, quer que a mulher alise os fios. Quando contratada, não quer que ela seja vista em uma recepção. Ela também sofre com as piadas etc”.

“Além de ter que provar sua competência, por ser mulher, ela vai ter que se esforçar ainda mais por ser uma mulher negra. Ser educada, formada, não é suficiente”, conclui Waleska.

A professora Nilma Renildes concorda. “Na nossa sociedade patriarcal, racista e hetenormativa, os homens vêm formados desde muito crianças a desempenhar esse papel de exclusão, de opressão às mulheres e achar que eles têm todo o direito de fazer isso”.

Voltando ao caso da jornalista com quem o iG conversou: passados alguns anos, outra vítima entrou em contato com ela para denunciar um dos donos daquela agência. As duas se reuniram com mais oito mulheres que também se sentiram ameaçadas pelo agressor. Porém, de alguma forma, ele descobriu e “intimidou uma delas”. E a história acabou ficando por isso mesmo.

Fonte: IG Mulher

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Talento Alegretense Brilha na 41ª Festa Campeira Internacional de Uruguaiana

A cidade de Alegrete teve motivos de sobra para comemorar durante a 41ª edição da Festa Campeira Internacional de Uruguaiana. Representando o CTG Vaqueanos da Fronteira, a artista Mariana Rohan conquistou destaque ao vencer em duas categorias distintas, levando o nome da cidade ao pódio e ao coração dos tradicionalistas.

Na modalidade de solista vocal, Mariana garantiu o primeiro lugar, encantando o público e os jurados com sua interpretação marcante e domínio técnico. A vitória consagra seu talento e dedicação à música regional gaúcha, reforçando a importância da preservação cultural por meio da arte.

Além do título principal, Mariana também brilhou na modalidade de declamação, onde conquistou o terceiro lugar. Sua performance emocionou e reafirmou seu compromisso com as tradições do Rio Grande do Sul, demonstrando versatilidade e profundo respeito pelas raízes campeiras.

As conquistas da artista foram celebradas com entusiasmo pelo CTG Vaqueanos da Fronteira e pela comunidade alegretense, que se orgulha de ver uma representante local se destacar em um dos eventos mais importantes do calendário tradicionalista. Mariana Rohan se consolida como uma voz promissora da cultura gaúcha, levando o espírito de Alegrete além das fronteiras.

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Alegrete recebe oficinas literárias com a escritora finalista do Prêmio Jabuti

Nos dias 14 e 15 de agosto, a cidade de Alegrete será palco de duas oficinas do projeto Arte da Palavra – Circuito Criação Literária, promovido pelo Sesc/RS. A atividade será comandada pela escritora Jô Freitas, autora do livro “Goela Seca”, finalista do Prêmio Jabuti 2024. Com o tema “Escrita Criativa em Cenopoesia / Spoken Word, Slam, Sarau”, a proposta une poesia, performance e oralidade, proporcionando uma rica experiência literária.

Na quarta-feira, dia 14, a atividade será voltada ao público geral e ocorrerá na Biblioteca da UNIPAMPA (Avenida 7 de Setembro, 1975), das 19h às 21h. Já na quinta-feira, dia 15, a oficina será realizada na Escola Dr. Romário Araújo de Oliveira (R. Alonso de Medeiros, 781 – Joaquim Fonseca Milano), das 08h30 às 11h, voltada a estudantes. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas com o Sesc Alegrete, pelo WhatsApp (55) 98423-6348.

Com uma carreira marcada por experiências internacionais e forte atuação em saraus, oficinas e projetos literários, Jô Freitas traz sua primeira turnê nacional por oito estados e 12 cidades brasileiras. Alegrete faz parte desse circuito que valoriza a palavra falada como ferramenta de expressão, arte e transformação social.

Arte Sesc – É um dos pilares prioritários para o Sesc/RS e tem como propósitos a valorização da arte e a disseminação da cultura para a sociedade de forma democrática e acessível, com ações que proporcionem a formação de plateias dos mais diferentes públicos. Dessa forma, promove atividades culturais de teatro, música, artes plásticas, circo, literatura e cinema, com uma intensa troca de experiências para ampliar o acesso à produção artística.

Arte da Palavra com Jô Freitas – Sesc Alegrete

14/08 (Quinta-feira)

Horário: Das 19h às 21h

Local: Biblioteca da Unipampa (Avenida 7 de Setembro, 1975)

Público: Geral

Inscrições: Gratuitas pelo WhatsApp (55) 98423-6348

15/08 (Sexta-feira)

Horário: Das 08h30 às 11h

Local: Biblioteca da Escola Dr. Romário Araújo de Oliveira – CIEP (Rua Alonso de Medeiros, 781 – Joaquim Fonseca Milano)

Público: Estudantes

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Cinema brasileiro brilha com Globo de Ouro para Fernanda Torres

A conquista por sua atuação em “Ainda Estou Aqui” eleva as expectativas para uma futura indicação ao Oscar

Na noite de 05.jan.2025, a atriz Fernanda Torres fez história no cinema brasileiro ao receber o Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama) por sua atuação em “Ainda Estou Aqui”.

A cerimônia, realizada em Los Angeles, destacou-se pela presença de estrelas internacionais e marcou a primeira vez que uma brasileira conquistou tal prêmio, elevando o nome de Fernanda Torres no cenário mundial do cinema. A premiação ocorreu nesta 2ª feira (06.jan.2025).

Torres competiu com atrizes de renome, como Pamela Anderson, Angelina Jolie, Nicole Kidman, Tilda Swinton e Kate Winslet. Sua vitória não só celebra seu talento excepcional, mas também ressalta a qualidade do cinema nacional no exterior.

“Ainda Estou Aqui”, sob direção de Walter Salles, é um longa biográfico que narra a vida de Eunice Paiva, mãe do escritor Marcelo Rubens Paiva e viúva do ex-deputado federal Rubens Paiva.

O filme aborda a luta de Eunice durante a ditadura militar no Brasil, buscando manter sua família unida após o desaparecimento de seu marido. Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o filme atraiu mais de 3 milhões de espectadores no Brasil e recebeu aclamação internacional.

Embora “Ainda Estou Aqui” não tenha vencido na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, superado por “Emilia Pérez”, a conquista de Fernanda Torres eleva as expectativas para uma indicação ao Oscar.

Este reconhecimento pode aumentar a visibilidade da atriz e do filme entre os votantes da Academia, potencialmente abrindo caminho para indicações em categorias como Filme Internacional e Melhor Roteiro Adaptado.

 

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