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Por que uso do termo ‘lepra’ para se referir a hanseníase é pejorativo


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Hanseníase
SMS de Mesquita/ RJ

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O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) venceu uma ação contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) após ele usar o termo “lepra” para se referir a pessoas infectadas com a doença.

A decisão judicial publicada no último sábado (15) ganhou repercussão nesta semana, com o presidente e demais integrantes da União  proibidos de usar o termo desse modo. A declaração que gerou a sentença foi feita em dezembro passado durante um discurso.

“Quem já leu ou viu filmes daquela época, quando Cristo nasceu, o grande mal daquele momento era a lepra. O leproso era isolado, distância dele. Hoje em dia, temos lepra também, continua, mas o mundo não acabou naquele momento”, comentou o chefe do Executivo na ocasião.

Mas como explica o Morhan, não existe lepra hoje em dia. O vice-coordenador nacional da entidade, Francisco Faustino Pinto, explica que as menções à lepra na Bíblia abrangiam uma série de enfermidades.

“Antes de Cristo e depois de Cristo acreditava-se que todo o pecado que você cometia, todo o mal ou desrespeito às leis de Deus era marcado a sua pele e você era tido como uma pessoa excluída da comunidade porque lepra, na verdade, significa descamação, sujeira, podridão, vício. Então todas as doenças dermatoneurológicas que a gente conhece hoje com seus respectivos nomes no passado também foram chamada de lepra”, esclarece Faustino em entrevista ao iG.

Ele pontua que, com o passar dos anos, outras doenças foram adquirindo nomes próprios, como é o caso do vitiligo, mas a hanseníase foi a última a receber um título. A luta pela mudança, Faustino conta, começou com o cientista brasileiro Abrahão Rotberg, na década de 1920. A concretização, no entanto, só ocorreu em 1995 com a lei federal 9.010, solicitada pelo Morhan e sancionada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

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A legislação diz exatamente que “o termo ‘lepra’ e seus derivados não poderão ser utilizados na linguagem empregada nos documentos oficiais da administração centralizada e descentralizada da União e dos estados-membros”. Por isso, o presidente da República infringiu a lei ao dar tal declaração.

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“Eu estou acompanhando os comentários das pessoas nos grupos. E aí muita gente fala: ‘ah, ele é o presidente, ele pode falar o que ele quiser, o que foi que ele disse demais?’. Assim, muitos dos seguidores do Jair Bolsonaro, infelizmente, não têm aquela obrigação de pesquisar, de ler, então saem replicando essas bobagens, né? (…) Mas não é porque o Jair Bolsonaro é o presidente da República que ele pode sair transgredindo leis, coisa que ele faz o tempo inteiro, mas a gente não podia deixar passar isso porque é uma luta que a gente trava desde o começo do nosso movimento, há quarenta anos”, frisa o vice-coordenador.

Prevenção e tratamento

Segundo o Morhan, pesquisas indicam que 90% da população brasileira já teve contato com a bactéria que causa a hanseníase, mas não adoeceu porque isso depende da resistência imunológica de cada indivíduo, o que leva em conta fatores como alimentação e prática de atividades físicas. Pessoas que vivem em regiões sem saneamento básico também ficam mais vulneráveis à bactéria, por isso o investimento na qualidade de vida da população é visto como uma ação eficaz.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), mais de 30 mil pessoas são diagnosticadas com hanseníase no país a cada ano, número que deixa o Brasil atrás apenas da Índia no ranking mundial.

Além disso, Faustino lembra que o ideal seria buscar precocemente indivíduos que manifestem algum comprometimento do nervo, medida que esbarra na precariedade do serviço de saúde nacional. “Pela falta de atenção básica, as pessoas que têm algum sintoma acabam chegando no serviço de saúde já sequeladas”, lamenta.

Outro problema que o vice-coordenador aponta é a comunicação, ao dizer que “não se tem tempo pra ouvir os pacientes”, o que poderia ajudar a combater o preconceito sofrido pelos enfermos que por vezes carecem de informação sobre suas próprias condições. Por outro lado, independente do estágio de agravamento, uma vez iniciado o tratamento com o bactericida, o paciente não mais transmite a doença.

Mês de consciência

O Morhan está em atividade desde junho de 1981, dedicado a trabalhar em prol da eliminação da hanseníase e do respeito aos Direitos Humanos das pessoas atingidas pela doença e seus familiares. Em 2016, essa luta ganhou um mês inteiro de conscientização oficial e, consequentemente, mais visibilidade. Trata-se do “Janeiro Roxo”, marcado por campanhas educativas sobre a enfermidade.

Neste ano, uma dessas ações é da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Com o mote “Precisamos falar sobre hanseníase”, a campanha visa alertar a população e combater o estigma e o preconceito em torno da doença.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

UPA terá atendimento restrito devido a manutenção técnica

 

A Santa Casa de Alegrete divulgou nesta terça-feira (24) um aviso importante à população sobre o funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) nesta quarta-feira, dia 25 de fevereiro.

Entre 10h e 16h, o atendimento será restrito exclusivamente a casos de urgência e emergência. A medida ocorre devido a uma manutenção técnica que provocará a interrupção temporária dos serviços de internet e telefonia, deixando os sistemas da unidade indisponíveis.

De acordo com a instituição, situações que não representem risco imediato à saúde devem ser direcionadas para outros horários. A Santa Casa reforça o pedido de compreensão da comunidade e destaca que a restrição é necessária para garantir a segurança e a continuidade dos serviços médicos essenciais.

O comunicado ainda solicita que a informação seja amplamente compartilhada para que todos estejam cientes da alteração no atendimento. 

 

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Saúde

Passo a passo para acessar exames do Novembro Azul pelo SUS

 Entenda o objetivo: O Novembro Azul incentiva o cuidado da saúde do homem. Pelo SUS, o caminho padrão é via Unidade Básica de Saúde (UBS), com avaliação e, se indicado, solicitação de exames como PSA e toque retal por profissional de saúde.

Documentos necessários

– Identificação: RG e CPF.
– Comprovante: Endereço atualizado (para vincular à UBS mais próxima).
– Cartão SUS: Se não tiver, a UBS emite na hora ou orienta onde fazer o cadastro.
– Contato: Telefone para avisos de agendamento e resultado.

Passo a passo na UBS

1. Vincule-se à UBS do seu bairro: Vá pessoalmente ao acolhimento/recepção com seus documentos. Eles conferem cadastro e elegibilidade.
2. Acolhimento e triagem: Enfermeiro ou técnico faz perguntas sobre sintomas, histórico familiar, idade e fatores de risco.
3. Consulta clínica: Médico ou enfermeiro avalia necessidade de exames. Nem todo homem precisa PSA de rotina; a decisão é individual conforme idade, sintomas e risco.
4. Solicitação de exames: Se indicado, você recebe a guia para PSA (sangue) e, quando necessário, é agendado o exame de toque retal.
5. Coleta de sangue: Realize no laboratório municipal ou posto indicado pela UBS, em geral em jejum conforme orientação local.
6. Retirada dos resultados: Volte à UBS na data informada; o profissional interpreta o resultado e define próximos passos.
7. Acompanhamento: Dependendo do resultado, pode haver repetição do exame, encaminhamento ao urologista ou orientações de estilo de vida.

Exames e ações mais comuns no Novembro Azul pelo SUS

– PSA (sanguíneo): Indicada a solicitação conforme avaliação clínica e fatores de risco.
– Toque retal: Útil para avaliar a próstata, feito quando houver indicação clínica.
– Orientações de saúde: Controle de peso, atividade física, cessação de tabagismo e manejo de sintomas urinários.
– Encaminhamento especializado: Quando necessário, a UBS encaminha ao urologista via regulação.

Onde fazer em Alegrete e região

– Rede SUS local: Alegrete integra a 10ª Coordenadoria Regional de Saúde do RS, que articula os serviços municipais. Procure sua UBS de referência para os fluxos de exames e agendamentos na rede pública.
– Campanhas locais: Em Alegrete, ações do Novembro Azul frequentemente oferecem mutirões e parcerias para PSA gratuito. Por exemplo, em 2024 houve parceria da Liga de Combate ao Câncer com laboratórios da cidade para exames sem custo durante a campanha. Em 2025, confirme na sua UBS ou canais oficiais da prefeitura se há ações similares neste mês.

Dicas práticas para agilizar

– Vá cedo à UBS: Agendamentos de coleta costumam abrir no início da manhã.
– Atualize seu cadastro: Mudança de endereço/telefone pode travar agendamentos.
– Pergunte sobre mutirões: Em novembro, muitas UBS ampliam horários ou fazem dias temáticos.
– Acompanhe resultados: Não espere ser chamado; se deram prazo, retorne na data.

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Saúde

Hemocentro de Alegrete amplia horário em meio a crise nos estoques de sangue

📰 O Hemocentro de Alegrete anunciou nesta segunda-feira (10/11) a abertura de um terceiro turno de atendimento, das 18h às 21h, com o objetivo de facilitar a participação de doadores que não conseguem comparecer no período habitual, entre 7h e 13h.

A decisão foi tomada diante de um cenário crítico: segundo a coordenadora Fernanda Soares, os estoques de sangue estão no limite mínimo, sem capacidade para atender três pacientes graves internados na Santa Casa.

🚨 Tipos sanguíneos em maior risco

A maior urgência recai sobre os tipos O negativo (O-) e A negativo (A-), considerados raros e de alta versatilidade nas transfusões.

📉 Desafios locais

Fernanda Soares destacou que o problema não se resume à baixa adesão, mas à ausência de doadores de repetição — aqueles que mantêm o hábito de doar duas ou três vezes por ano. “Precisamos de regularidade para garantir que os estoques não cheguem a níveis tão críticos”, alertou.

💉 Impacto social da doação

Cada bolsa de sangue coletada pode beneficiar até quatro pacientes. Além disso, os doadores recebem uma bateria de exames, funcionando como um checkup básico de saúde.

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