Saúde
Aprovação de medicamentos à base de cannabis dá esperança a pacientes
No início do mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu a autorização para a importação do Canabidiol Verdemed, medicamento feito à base de cannabis medicinal, para o Brasil.
A solução contém 23,75 miligramas por mililitro (mg/mL) de canabidiol (CBD), com até 0,2% de tetraidrocanabidiol (THC), e é fabricada na Colômbia – a oitava aprovada pela agência. Agora, é possível que ele seja comercializado para pacientes de todo o país.
A norma vigente no Brasil afirma que o canabidiol pode ser prescrito “quando estiverem esgotadas outras opções terapêuticas disponíveis no mercado”. Envolta em uma polêmica causada, segundo os médicos, pelo desconhecimento das propriedades medicinais da planta, a substância dá esperança no tratamento de diversas doenças no país.
Em 2018, Paulo Henrique Costa sofreu um traumatismo craniano encefálico. Depois de muitos tratamentos e tentativas de uma evolução no quadro, a família, por orientação médica, passou a utilizar uma válvula, acompanhada da medicação à base de cannabis.
“A medicação foi uma indicação da neurocirurgiã que era vinculada à uma associação, pelos quadros de convulsão e na questão motora, para auxiliar no processo de mobilidade, já que ele ficou muito tempo acamado”, lembra a esposa, Roseli Martins Bento Costa.
O processo de compra foi facilitado pela associação. O tratamento com esses medicamentos ainda é muito caro, já que não é possível plantar ou produzi-los em território brasileiro.
Paulo foi submetido a outros remédios, mas nenhum que tivesse resultado parecido. “Eles não eram muito eficazes, ele continuava tendo tremores, pouca mobilidade. Percebíamos que ele ficava mais adormecido, sem muita responsividade”, conta Roseli.
A vida da família mudou com o tratamento. “A cannabis foi uma divisora de águas em nossas vidas. Ver ele andando, falando, comendo, é gratificante. Quero que outras pessoas possam sentir a felicidade que sinto”.
A neurocirurgiã que sugeriu o canabidiol ao casal Paulo e Roseli foi Patrícia Montagner, fundadora da WeCann Academy, comunidade global de estudos em medicina endocanabióide. Ela comemora a decisão da Anvisa, e afirma que a demanda por esses produtos cresce a cada dia.
“Os pacientes despertaram para o potencial terapeutico dessa planta. Ter mais possibilidades, medicamentos registrados e devidamente qualificados para compra nas farmácias é de extrema importância. Esperamos que, com o tempo, mais opções cheguem ao mercado e o custo dessas medicações baixe”, diz.
Além do preço, os pacientes esperam que outras barreiras sejam superadas no Brasil. As resoluções da Anvisa limitam-se a regulamentar prescrição, exposição e importação. O plantio para pesquisa e produção de medicamentos foi barrado.
O Poder Legislativo poderia decidir a favor ou contra a produção para esse fim, mas o PL 399/15, de autoria do deputado federal Fábio Mitidieri (PSD-SE) e delibera sobre o assunto está parado há cinco anos na Câmara. Neste ano, instituições tiveram liminares de cultivo cassadas e retomadas por decisões judiciais.
“Muita gente tem uma ideia errada, um preconceito que envolve a substância por causa da associação do óleo do canabidiol, usado em consultório, com o uso recreativo e terapêutico da cannabis. São coisas completamente diferentes”, explica a Dra. Gabriella Santos Oliveira, neuropediatra do Hospital Cruz Verde, que lidera o tratamento de crianças com a substância.
“As pessoas acham que vai ser usado de forma indiscriminada, sem indicação. O PL não tira a questão de que é uma medicação, utilizado sob prescrição médica. Nenhuma dessas críticas tem embasamento”, afirma ela, que aponta uma tentativa de politização da pauta.
“Agora eu tenho uma vida”
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O canabidiol mudou também a vida de Taiane Boaventura, mãe de Isabelly, que nasceu com microcefalia. Ao iG, Taiane relatou que teve muitos problemas ao controlar a agressividade da filha enquanto as várias medicações prescritas não surtiam efeito algum.
“Quando a Isabelly nasceu, a médica disse que ela não poderia andar, falar, que iria vegetar em uma cama. Nunca acreditei muito nisso. Com seis meses ela engatinhou, com onze, andou. Os problemas começaram depois que ela completou um ano, e precisou começar a medicação”, narra.
“Tive problemas com mães em creches. Ela era agressiva, mordia e batia nas crianças. Tomou remédios, tentamos homeopáticos, manipulados, nunca vi resultado. Mas há cinco meses com o canabidiol, já vejo muitos efeitos. A primeira coisa que melhorou foi o sono”, afirma ela, que relembra um episódio onde foi chamada na escola e, ao chegar na sala do diretor, viu que a filha precisou ser contida por morder os colegas.
“Ela não dormia, agora tem um sono tranquilo. Não tinha paciência para TV e celular, agora passou a ficar mais tempo. E principalmente, melhorou o comportamento com outras crianças. Antes não brincava com ninguém, agora é convidada para brincar, consigo deixar ela mais a vontade, ela interage”.
O medicamento também fez muita diferença para a própria Taiane. “Ela vai duas vezes por semana [à escola] e eu não estou tendo problemas. Não vou falar que ela não é mais impaciente, ainda é agitada, mas depois do canabidiol eu tenho uma vida. Não conseguia nem ir ao mercado, porque se a Isa visse algo e eu não comprasse, ela se atirava no chão, se batia. E eu espero muito mais”, conta.
Taiane precisou entrar na Justiça para continuar tendo acesso aos medicamentos por conta do alto custo. Ela aguarda a chegada dos frascos para dar andamento ao tratamento da filha, conforme a indicação médica.
Canabidiol não é maconha
Parte do preconceito sobre o tratamento com medicamentos à base do canabidiol existe por conta do uso recreativo da maconha. É preciso que fique claro que a única relação entre as duas coisas é a planta.
“A planta na forma de fumo muitas vezes tem origem e qualidade desconhecida. Todos sabemos que o fumo agride o sistema respiratório, então definitivamente não é uma via de administração considerada saudável. E além disso, quem usa de forma recreativa não tem supervisão médica. Difere em tudo”, ensina a Dra. Patrícia.
“Não tem segurança de que o produto não está contaminado por fungos, bactérias, metais pesados, pesticidas. Não tem estratégia terapêutica, totalmente diferente de um produto seguro, qualificado, laboratorialmente testado, com a finalidade de controlar sintomas”, completa.
Patrícia aponta o preconceito e a falta de conhecimento como principais responsáveis pelo lobby contrário ao tratamento. “Tanto autoridades públicas quanto boa parte da comunidade médica desconhecem as diferenças entre uso recreativo e medicinal. Ignorância, preconceito, resistência. E é educação! Tem muita ciência para explicar o que estamos fazendo. É sentar no Google e pesquisar artigos científicos sobre a planta”.
Com a populariação do assunto e dos tratamentos, os próprios pacientes estão buscando pelos medicamentos nos consultórios. Para isso, no entanto, é preciso achar um profissional que esteja habituado a prescrevê-los, conforme ensina a Dra. Gabriella.
“O primeiro passo é procurar um profissional que esteja habituado a trabalhar com o problema de saúde e também com o canabidiol, ele vai ser capaz de avaliar a sua situação e te indicar o melhor tratamente, seja com a cannabis ou não”, afirma.
Se prescritos, os remédios à base de canabidiol devem ter receita azul. O desafio é encontrar um especialista adepto ao tratamento: segundo a Dra. Patrícia, dos cerca de 500 mil médicos do país, apenas 0,5% os receitam.
Saúde
UPA terá atendimento restrito devido a manutenção técnica
A Santa Casa de Alegrete divulgou nesta terça-feira (24) um aviso importante à população sobre o funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) nesta quarta-feira, dia 25 de fevereiro.
Entre 10h e 16h, o atendimento será restrito exclusivamente a casos de urgência e emergência. A medida ocorre devido a uma manutenção técnica que provocará a interrupção temporária dos serviços de internet e telefonia, deixando os sistemas da unidade indisponíveis.
De acordo com a instituição, situações que não representem risco imediato à saúde devem ser direcionadas para outros horários. A Santa Casa reforça o pedido de compreensão da comunidade e destaca que a restrição é necessária para garantir a segurança e a continuidade dos serviços médicos essenciais.
O comunicado ainda solicita que a informação seja amplamente compartilhada para que todos estejam cientes da alteração no atendimento.
Saúde
Passo a passo para acessar exames do Novembro Azul pelo SUS
Entenda o objetivo: O Novembro Azul incentiva o cuidado da saúde do homem. Pelo SUS, o caminho padrão é via Unidade Básica de Saúde (UBS), com avaliação e, se indicado, solicitação de exames como PSA e toque retal por profissional de saúde.
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Documentos necessários
– Identificação: RG e CPF.
– Comprovante: Endereço atualizado (para vincular à UBS mais próxima).
– Cartão SUS: Se não tiver, a UBS emite na hora ou orienta onde fazer o cadastro.
– Contato: Telefone para avisos de agendamento e resultado.
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Passo a passo na UBS
1. Vincule-se à UBS do seu bairro: Vá pessoalmente ao acolhimento/recepção com seus documentos. Eles conferem cadastro e elegibilidade.
2. Acolhimento e triagem: Enfermeiro ou técnico faz perguntas sobre sintomas, histórico familiar, idade e fatores de risco.
3. Consulta clínica: Médico ou enfermeiro avalia necessidade de exames. Nem todo homem precisa PSA de rotina; a decisão é individual conforme idade, sintomas e risco.
4. Solicitação de exames: Se indicado, você recebe a guia para PSA (sangue) e, quando necessário, é agendado o exame de toque retal.
5. Coleta de sangue: Realize no laboratório municipal ou posto indicado pela UBS, em geral em jejum conforme orientação local.
6. Retirada dos resultados: Volte à UBS na data informada; o profissional interpreta o resultado e define próximos passos.
7. Acompanhamento: Dependendo do resultado, pode haver repetição do exame, encaminhamento ao urologista ou orientações de estilo de vida.
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Exames e ações mais comuns no Novembro Azul pelo SUS
– PSA (sanguíneo): Indicada a solicitação conforme avaliação clínica e fatores de risco.
– Toque retal: Útil para avaliar a próstata, feito quando houver indicação clínica.
– Orientações de saúde: Controle de peso, atividade física, cessação de tabagismo e manejo de sintomas urinários.
– Encaminhamento especializado: Quando necessário, a UBS encaminha ao urologista via regulação.
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Onde fazer em Alegrete e região
– Rede SUS local: Alegrete integra a 10ª Coordenadoria Regional de Saúde do RS, que articula os serviços municipais. Procure sua UBS de referência para os fluxos de exames e agendamentos na rede pública.
– Campanhas locais: Em Alegrete, ações do Novembro Azul frequentemente oferecem mutirões e parcerias para PSA gratuito. Por exemplo, em 2024 houve parceria da Liga de Combate ao Câncer com laboratórios da cidade para exames sem custo durante a campanha. Em 2025, confirme na sua UBS ou canais oficiais da prefeitura se há ações similares neste mês.
Dicas práticas para agilizar
– Vá cedo à UBS: Agendamentos de coleta costumam abrir no início da manhã.
– Atualize seu cadastro: Mudança de endereço/telefone pode travar agendamentos.
– Pergunte sobre mutirões: Em novembro, muitas UBS ampliam horários ou fazem dias temáticos.
– Acompanhe resultados: Não espere ser chamado; se deram prazo, retorne na data.
Saúde
Hemocentro de Alegrete amplia horário em meio a crise nos estoques de sangue
📰 O Hemocentro de Alegrete anunciou nesta segunda-feira (10/11) a abertura de um terceiro turno de atendimento, das 18h às 21h, com o objetivo de facilitar a participação de doadores que não conseguem comparecer no período habitual, entre 7h e 13h.
A decisão foi tomada diante de um cenário crítico: segundo a coordenadora Fernanda Soares, os estoques de sangue estão no limite mínimo, sem capacidade para atender três pacientes graves internados na Santa Casa.
🚨 Tipos sanguíneos em maior risco
A maior urgência recai sobre os tipos O negativo (O-) e A negativo (A-), considerados raros e de alta versatilidade nas transfusões.
📉 Desafios locais
Fernanda Soares destacou que o problema não se resume à baixa adesão, mas à ausência de doadores de repetição — aqueles que mantêm o hábito de doar duas ou três vezes por ano. “Precisamos de regularidade para garantir que os estoques não cheguem a níveis tão críticos”, alertou.
💉 Impacto social da doação
Cada bolsa de sangue coletada pode beneficiar até quatro pacientes. Além disso, os doadores recebem uma bateria de exames, funcionando como um checkup básico de saúde.
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