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Paulo de Tarso

Festejos Farroupilhas terão R$ 17,7 MI e homenageará Darci Fagundes

A edição deste ano dos Festejos Farroupilhas tem como tema “Ondas curtas para uma história longa – O centenário de Darcy Fagundes e os 70 anos do Grande Rodeio Coringa”, destacando a história do radialista, declamador e comunicador Darcy Fagundes.

O patrono é Mário Barboza de Mattos, engenheiro agrônomo, jornalista, escritor e artista plástico, com uma trajetória marcada por contribuições significativas à cultura do Estado. A música-tema das festividades, intitulada “O Vaqueano do Rádio”, foi composta pelo grupo Alma Gaudéria e apresentada na cerimônia desta tarde. A canção foi vencedora da chamada pública realizada pela Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas.

“Este é um momento de celebração da nossa rica cultura, da nossa identidade e do nosso povo. Hoje escrevemos mais um capítulo dessa história. Os Festejos Farroupilhas são muito mais que uma festa tradicional: são a reafirmação dos valores que nos unem como a bravura, a liberdade, a garra e a resistência”, afirmou a presidente da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, Denise Gress.

O acendimento da Chama Crioula, que marca oficialmente o início dos Festejos Farroupilhas, será no dia 16 de agosto, em Caxias do Sul. Após percorrer 30 Regiões Tradicionalistas do Estado, a centelha chega ao Palácio Piratini no dia 14 de setembro, dando início à Semana Farroupilha.

A Chama foi reconhecida pelo governo do Estado em agosto de 2024 como símbolo da cultura regional gaúcha e patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul, representando a coragem, a união dos povos e o amor do gaúcho por sua terra.

Avançar Tchê

Com o objetivo de fomentar atividades tradicionalistas e de incentivar a pesquisa, o ensino e a preservação da cultura gaúcha, o governo do Estado anunciou a criação de um programa inédito, o Avançar Tchê. Por meio de dois editais, que serão lançados nesta quinta-feira (17), serão direcionados R$ 17,7 milhões a entidades tradicionalistas.

O Edital Prêmio Tradicionalismo Gaúcho vai destinar R$ 16 milhões a entidades com atuação comprovada no Rio Grande do Sul e histórico relevante de atividades desenvolvidas para a preservação, a promoção e a valorização do tradicionalismo gaúcho. O valor recebido poderá ser aplicado na melhoria da infraestrutura da entidade, na aquisição de indumentárias, instrumentos e equipamentos, no desenvolvimento de atividades ou quaisquer outras necessidades relevantes para sua atuação.

Já o Edital Invernadas Culturais contará com R$ 1.675.084,60 em recursos para entidades tradicionalistas gaúchas e pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos executarem projetos que desenvolvam oficinas de danças gaúchas, artesanato, gastronomia, música, poesia, indumentária gaúcha, entre outras.

Os editais completos podem ser acessados a partir desta quinta-feira, na página do Pró-Cultura e no site cultura.rs.gov.br.

Festejos Farroupilhas

A Revolução Farroupilha, também chamada de Guerra dos Farrapos, teve início em 20 de setembro de 1835, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul, prolongando-se até março de 1845. Esse período de aproximadamente dez anos é considerado um marco na formação social e política do Estado, representando uma das mais importantes passagens da história gaúcha.

A data de 20 de setembro marca o início da Guerra dos Farrapos, quando os farroupilhas saíram vitoriosos na batalha da Ponte da Azenha e adentraram a província de Porto Alegre, comandados por Bento Gonçalves. O conflito resultou na independência do Rio Grande do Sul e na criação da República do Piratini, que perdurou por sete anos.

A Semana Farroupilha foi estabelecida como um momento de celebração das tradições gaúchas, envolvendo não apenas os CTGs e o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), mas também diversas instituições e segmentos sociais do Estado.

 

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Paulo de Tarso

Nem tudo é notícia.

Há uma regra elementar nas redações profissionais: suicídio não é espetáculo.

Não é assunto para manchetes apelativas, exposição de circunstâncias, exploração da identidade da vítima ou corrida por cliques. Não porque o jornalismo deva esconder a realidade, mas porque há situações em que a maneira de informar também pode produzir consequências.

Alegrete vive dias dolorosos.

Ontem, um estudante de uma escola estadual morreu por suicídio. A notícia rapidamente ganhou espaço em portais e redes sociais da cidade. O EQ fez outra escolha: não transformou uma tragédia humana em conteúdo para disputar audiência.

Hoje, a comunidade foi atingida por uma segunda morte, envolvendo uma adolescente da mesma escola.

É preciso estabelecer aqui uma diferença fundamental: não há elementos que permitam afirmar que a divulgação do primeiro caso tenha provocado o segundo. Fazer essa associação como fato seria tão irresponsável quanto ignorar aquilo que décadas de estudos e protocolos profissionais já ensinaram às redações: a cobertura inadequada de suicídios pode favorecer comportamentos de imitação entre pessoas vulneráveis.

É exatamente por isso que existem recomendações específicas para o tratamento jornalístico desses episódios.

Não se trata de censura. Trata-se de responsabilidade.

O jornalismo pode — e deve — falar sobre suicídio. Deve discutir saúde mental, prevenção, sofrimento, redes de apoio, políticas públicas e caminhos para buscar ajuda. O que não deve fazer é transformar a morte em narrativa espetacular, explorar e/ou converter o sofrimento de uma família em mercadoria para alimentar algoritmos.

O EQ não pretende ocupar o lugar de paladino das boas práticas jornalísticas. Também erramos e estamos permanentemente sujeitos à revisão de nossas escolhas.

Mas existe um limite que uma redação profissional precisa reconhecer.

Antes do clique existe uma pessoa. Antes da audiência existe uma família. E antes da notícia existe a vida.

Quando plataformas, páginas ou veículos abandonam esses princípios para competir por alcance nas redes sociais, a discussão deixa de ser apenas sobre gosto editorial. Passa a ser sobre responsabilidade.

Informar exige técnica. Exige critério. E, sobretudo, exige ética.

Nem tudo o que desperta curiosidade pública precisa ser explorado da mesma maneira. Nem tudo o que gera audiência merece uma manchete.

Há momentos em que o jornalismo demonstra sua qualidade não apenas pelo que publica.

Mas também pelo que decide não transformar em espetáculo.

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Paulo de Tarso

Chimarrão, lareira e outras coisitas a mais: as armas do gaúcho contra o frio intenso

Quando o inverno mostra sua força e a geada pinta os campos de branco, o gaúcho já sabe o caminho. A chaleira vai ao fogo, a cuia passa de mão em mão e a lareira transforma a casa em abrigo.

O chimarrão aquece o corpo e aproxima as pessoas. A lenha estalando no fogo embala conversas, histórias e silêncios que só o inverno sabe explicar.

O poncho sai do armário, a boina volta à cabeça, o pala enfrenta o minuano e a comida ganha sabor de aconchego: carreteiro, feijão, sopa de capeletti, pinhão e um bom churrasco desafiam as baixas temperaturas.

No Rio Grande, o frio nunca foi apenas um fenômeno da natureza. É um convite para reforçar as tradições, reunir a família e lembrar que a verdadeira força do gaúcho está na capacidade de transformar o rigor do inverno em calor humano.

Porque, por aqui, o inverno pode até congelar a paisagem. Mas jamais esfria a alma de quem nasceu para enfrentar o minuano.

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Paulo de Tarso

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