Empréstimo para 13º altera rotina e gera indignação de servidores

Os servidores estaduais do Rio Grande do Sul começaram a receber nesta quarta-feira (20) o valor referente ao 13º salário por meio de empréstimo no Banrisul. Eles tiveram de ir até as agências bancárias e solicitar o pagamento do benefício, que terá o ressarcimento da operação pago pelo governo. Em Alegrete a situação não é diferente: além do parcelamento, os servidores locais reclamam das longas filas e da falta de atendimento.

As agências de todo o estado abriram mais cedo e fecham mais tarde, até sexta-feira (22), em virtude da demanda. Na cidade, o atendimento têm começado às 09h e vai até às 16h. De acordo com o gerente adjunto da agência loca, Ademir Cassol, assim que as pessoas entram no banco o atendimento começa e flui de acordo com a necessidade.

Este já é o segundo ano em que os servidores precisam fazer empréstimos para receber o 13º. A situação é reflexo da atual postura política de parcelamento do governo Sartori.

Para a servidora Sônia Sanguinetti, de 62 anos, essa realidade é humilhante. Na fila desde cedo, ela desabafa e diz que “depois de tantos anos de trabalho é a primeira vez em que passa por isso”, relata.

Com a grande procura, muitos tiveram que voltar para casa sem atendimento. José do Prado, 57 anos, relata que aguarda na fila pelo segundo dia. “Cheguei aqui ontem (quinta) e não consegui ser atendido. Hoje, essa peregrinação de novo! E o pior, para tentar receber algo que é meu por direito”, desabafa.

Também foram relatados problemas de instabilidade no sistema. Desde quarta, o Banrisul atendeu mais de 100 mil servidores públicos, de um total de 320 mil.

Apesar dos problemas, a federação que representa os servidores informa que o sentimento é de alívio com a confirmação de que o governo vai pagar os juros da operação bancária. “Isso marca uma diferença bastante significativa, porque no ano passado o governo forçou os servidores a tomarem os empréstimos arcando com os juros, dizendo que havia uma impossibilidade jurídica, o que caiu por terra agora”, diz o presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do Rio Grande do Sul (Fessergs), Ségio Arnoud.

 Quem poderá fazer empréstimo bancário para antecipar o 13°?

Todos os servidores estaduais.

Qual o prazo?

Até 15 de janeiro.

O financiamento é facultativo?

Sim. O servidor que optar pela operação receberá o valor do seu 13º salário em dia e sem qualquer prejuízo, já que as despesas bancárias serão custeadas pelo Estado.

E o servidor que optar por não fazer a operação?

Receberá o pagamento do 13º em 12 parcelas mensais, a serem pagas a partir de janeiro. O montante será acrescido de indenização. O percentual proposto é de 1,42% ao mês.

 A reposição oferecida na parcela do 13º pelo Estado (1,42%) vai cobrir os eventuais juros a serem cobrados pelo Banrisul? E por outros bancos?

No caso do Banrisul, sim. Quanto aos demais bancos, depende da oferta de cada um. Todos os servidores podem ter conta no Banrisul.

E se os juros da operação bancária forem superiores à reposição de 1,42% oferecida pelo governo? Quem pagará a diferença?

O governo diz que pagará aos servidores a correção estabelecida no projeto de lei, e o Banrisul praticará essa taxa. Os demais bancos podem praticar a mesma correção.

Quem está negativado no Banrisul, sem capacidade de fazer empréstimos, terá essa possibilidade também?

Sim, mas nesses casos precisará procurar sua agência.

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