12 de agosto de 2017

Produtora rural denuncia esquema de agiotagem em São Gabriel

Por: Pedro Mello

Um esquema de agiotagem, envolvendo nomes de advogados, empresários e produtores rurais de São Gabriel, está sendo investigado pela Delegacia de Polícia Civil (DPC), enquanto a Polícia Federal (PF) investiga crimes relacionados a importação ilícita de insumos químicos para lavoura de arroz e soja. A representação acerca da prática de agiotagem financeira e real – feita ao Ministério Público Estadual ainda em 2015 – começou a ter desdobramentos somente no ano passado, quando uma das vítimas também começou a receber ameaças e a sofrer com outras práticas ilícitas, explica o advogado Carlos Henrique Rey.

A produtora rural Roselba Medianeira Saccol também deu início a uma ação cível para recuperar o patrimônio imobiliário que lhe fora tirado, que segundo ela, foi “pego” de forma ardilosa dentro do esquema criminoso operado por estas pessoas que emprestam dinheiro a juro, com taxas extorsivas e usam das supostas dívidas para tomar propriedades, rurais e urbanas, em São Gabriel.
Entre os envolvidos no esquema criminoso, conforme relata Saccol, está uma das principais famílias de produtores de arroz e soja de São Gabriel. Hoje, esta família usa parte de uma fazenda da vítima, na localidade do Bolso – no interior de Santa Margarida do Sul, para ampliar a sua área de produção.
Passaram-se dois anos e as partes envolvidas, segundo ela, começaram a serem ouvidas no começo deste semestre. “Eu fui ouvida na última quarta-feira, na Delegacia de Polícia… Relatei o golpe, desde os primeiros empréstimos, a maneira que eles usaram para justificar e se apossarem dos meus bens e de familiares… No começo, ofereceram-me uma assessoria jurídica e alegaram que eu receberia um financiamento do BNDES ou BRDE na casa dos milhões (… enquanto entregavam dinheiro a juro onzenário). Só que o financiamento nunca chegou e, quando notei, já estava devendo um monte, inclusive por conta de valores por eles industriados. Hoje, alguns deles, encontram-se na posse dos meus bens. Basicamente, este é resumo do estelionato”, comenta Saccol.
“Na verdade, o passo seguinte à escolha da pessoa a lesar é o da desestruturação da vítima e de sua família, para depois tirarem tudo. E se tu falar, se denunciar, sofre ameaça e a tua família fica exposta. Enquanto respirar, manterei a determinação de romper com este estado de coisas especialmente o silêncio. Sei de outras vítimas na cidade”, argumentou.

BENEFÍCIOS
A propriedade de Saccol já foi usada para a liberação de recursos do governo federal em apoio ao produtor rural. Evidência disso que a área de terra que a vítima cultivava consta em garantia de financiamentos e de assunções de dívidas pela apontada família, somando milhões a contar do final de 2015. Ainda que, na prática, de acordo com as instituições bancárias, por regra, a liberação do crédito encontra-se condicionada ao preço do imóvel a ser entregue em garantia hipotecária.

fonte : A  Notícia




Redes Sociais

Clima

Capa